terça-feira, 13 de julho de 2010

"Tropeirão do Mineirão" (Bar 24 - Belo Horizonte, MG)

Desde o dia em que fiquei sabendo que o futuro do famoso feijão tropeiro vendido dentro do Mineirão está ameaçado, não pensava em outra coisa a não ser fazer um post sobre a mais famosa iguaria vendida em um estádio de futebol no Brasil.

Li no blog Belo Horizonte no Mundial que, com a reforma do Mineirão para a Copa do Mundo de 2014, ninguém sabe se o prato continuará a ser servido, pois os bares da forma como existem hoje vão acabar, e muitas redes de alimentação rápida ocuparão estes espaços.

Portanto, cometeria uma grande gafe se não dedicasse um espaço neste blog ao “tropeirão do Mineirão”, como é popularmente conhecido.

O jogo escolhido foi a decisão do Campeonato Mineiro deste ano, entre Atlético e Ipatinga.

Como a procura por ingressos foi muito grande, só consegui comprar entrada para o portão 6, que dá acesso aos espaços onde costuma ficar a torcida do Cruzeiro.

O estádio é separado por setores desde 2004, e por isso fiquei impossibilitado de me esbaldar no aclamado tropeiro do Bar 13.

Pois bem, quando entrei no estádio, faltando cerca de uma hora e meia para o início da partida, subi as escadas e saí em frente ao Bar 24.

Apesar de não conhecê-lo - pois a primeira opção de todo atleticano é ficar no lado oposto, com entradas pelos portões 9 e 12 –, não poderia abrir mão de um hábito que mantenho desde 1992: comer um belo prato de feijão tropeiro antes de ver o Galo.

Como não havia almoçado ainda, não pensei duas vezes e me dirigi ao bar à procura de felicidade.



O feijão tropeiro do Mineirão é um verdadeiro PF. Custa R$7 e chega em prato de plástico, acompanhado de arroz, couve, torresmo, ovo frito e bife de lombo coberto por um espesso e saboroso molho de tomates.

O molho é preparado no próprio bar com pedacinhos de tomates, e tem a função de dar mais suculência ao prato, não deixando que a comida fique muito seca e de difícil digestão.

É comum que ele acabe em determinada parte do jogo. Por isso, a dica é sempre almoçar ou jantar antes da partida, quando os ingredientes estão no auge de seu frescor.

Acreditem se quiser, mas o bife de lombo é um dos mais macios e bem temperados de que se tem notícia na baixa gastronomia da capital mineira. E a couve é servida como salada, quer dizer, é crua e bem temperada.




Para comer esta iguaria, você tem que estar no clima e familiarizado com o ambiente festivo. Ou seja, deve abstrair o fato da colher ser de plástico e de não haver faca.

Por isso, o que se vê muitas vezes são as mãos e os dentes fazendo as funções de garfo e faca para cortar o bife.

É algo que ninguém faria em casa e muito menos em público, mas há no estádio uma licença silenciosa para se cometer uma falta de educação como esta.

Mas vale a pena experimentar, pois o tropeiro é muito saboroso e preparado pelas hábeis mãos de cozinheiras experientes.

A junção de todos estes fatores faz com que o Mineirão se torne o melhor lugar de Belo Horizonte para se apreciar esta especialidade típica de Minas Gerais.

Para acompanhar, a sugestão é refrigerante (R$3 o copo com 300ml), já que está proibida a venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio e em seus arredores.

Há mais de 40 anos, o “tropeirão do Mineirão” é sagrado para muitos torcedores, faça chuva ou sol, faça frio ou calor.



Vale destacar que os melhores tropeiros são encontrados dentro do estádio, e não nas barraquinhas que ficam no entorno do local, onde muitas vezes as comidas não são bem acondicionadas.

Minha torcida agora é para que não acabem com a venda do feijão tropeiro, do sanduíche de pernil e da porção de torresmo após a reforma do Mineirão. Seria uma afronta aos costumes e à tradição mineira termos que nos contentar em engolir rações produzidas pelas grandes cadeias de fast food.



Ah, e se alguém ficou curioso para saber o resultado do jogo, o Atlético venceu por 2 a 0 e foi campeão mineiro pela quadragésima vez em sua história.




ESTÁDIO GOVERNADOR MAGALHÃES PINTO (MINEIRÃO)
Av. Antônio Abrahão Caram, 1001 - Pampulha
Belo Horizonte, MG

12 comentários:

  1. bom demais, não é mesmo? mas acho que tinha que ter uma foto de voce comendo....

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  2. Muito bom essa sua matéria. Gosto de ler esse tipo de coisas em blog de Gastronomia. E não ler blog's de pessoas com ego enorme, que sabe tudo que acontece na Cataluña e no Noma, mas não conhece a cultura gastronômica do próprio país. Isso é lindo! Parabéns!

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  3. Que bom que você gostou, Diego.

    Valeu a força, meu caro.

    Um grande abraço e seja sempre bem-vindo por aqui!


    Ass: Nenel

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  4. Que lindo!!
    Graças a você tive oportunidade de experimentar essa maravilha antes de "acabar"!!
    Espero que, quando acabar a reforma do Mineirão,o tropeirão continue lá!

    Beijo.

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  5. Delirei Benné!

    detalhe do bar 24...lado azul...rsrsr

    Abrss

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  6. Nossa, que beleza! Assim meu time pode até perder que não ligo, kkkkk!

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  7. Totalmente excelente essa matéria!!!
    O tropperão é sagrado d+!!!
    COmpete com a comida da minha mãe...rsrsrs

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  8. Grande Benny, o tropeiro do mineirão deveria ser considerado Unesco World Heritage of Minas Gerais. Não pode acabar jamais.
    Só tá faltando escrever com mais frequencia neste blog.
    Abraço

    Renny Phera

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  9. Bar 24 .....> Lado Azul!

    FATO!


    Zuntinho

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  10. adorei a foto do PF com vista para o campo do Mineirão!A melhor! =DDD
    encontrei seu blog por um tweet do Marcelo Katsuki.
    E da próxima que for para BH vou averiguar as superdicas do blog.
    abraços!

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  11. Obrigado pelo apoio, Lidiane!

    Quando vier a BH, és muito bem-vinda.

    Um abraço!!

    Ass: Nenel

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  12. Parabéns pelo texto e pelo blog, tá lindo!

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