sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"Alho espanhol, coração alado e outros acepipes" (Adega Pérola - Rio de Janeiro, RJ)



Poucas vezes me emocionei tanto ao entrar num bar. Somente ao enxugar as finas lágrimas que caiam dos meus olhos foi que me dei conta de que chegara realmente à Adega Pérola, localizada em um dos pontos mais boêmios de Copacabana. 



Aberto em 1957, o tradicional boteco foi fundado por portugueses e hoje é comandado por três antigos clientes, que mantiveram as características originais do lugar. 



A Adega Pérola é um verdadeiro bar de tapas, com mais de 100 opções de petiscos expostos numa vitrine e vendidos em porções de, no mínimo, 100 gramas. 





As tapas são entradinhas ou aperitivos ideais para compartilhar em grupo. Elas são muito comuns em alguns países da Europa, principalmente na Espanha. 



O alho espanhol é uma boa pedida e sai a R$14 cada 100 gramas. 





Preparada com azeite, pimenta calabresa e especiarias, a ótima conserva não tem gosto forte, não arde e não deixa rastros na boca. 

Quer dizer, ela é equilibrada, não agride o paladar e prova que alho e azeite ainda formam uma ótima dupla. 

Só provando o crocante dente de alho inteiro e cru para acreditar. 



Para acompanhar a receita, que é guardada a sete chaves, vale a pena pedir uma tulipa do bem tirado chope Brahma (R$6) e uma cestinha de pão francês fatiado (R$1,50) para molhar no azeite. 



Imagino que esta conserva de alho case muito bem com uma suculenta picanha preparada na churrasqueira. 

Entre as várias opções de acepipes, vendidos por 100 gramas, estão as batatinhas calabresas (R$6), as azeitonas gregas (R$9) e espanholas (R$10), o bacalhau em lascas (R$18), o polvo (R$20), o camarão (R$18) e o escabeche de salmão defumado (R$22). A sardinha portuguesa é vendida por unidade (R$7 cada). 









Eleito o melhor boteco do Rio na edição 2012 da revista Veja Comer & Beber, a Adega Pérola tem uma atmosfera ímpar, onde fica fácil fazer amizade e bater papo com os frequentadores que se apertam entre o extenso balcão e as sete mesas coletivas de madeira com banqueta fixa. 



A calçada também fica cheia e o freguês pode tomar um chope ali mesmo, sem a necessidade de pagá-lo antecipadamente. Funciona na base da confiança mesmo. 



Da cozinha saem os petiscos quentes, como o famoso bolinho de bacalhau, a sardinha frita e o frango a passarinho. O cardápio é anunciado em cartazes escritos à mão. 



O coração alado (coraçõezinhos de galinha fritos com cebola e muito alho) é uma boa opção e custa R$16. 

Saborosa, a porção acompanha cesta de pão francês e poderia ser um pouco maior. 



Nos primeiros anos de existência, o bar oferecia vinhos em galão - daí o seu nome -, que com o passar do tempo ganhou uma função decorativa, já que o chope dominou completamente a cena. 

De qualquer forma, a casa ainda mantém uma carta de vinhos e os mais conservadores podem optar pela bebida em caneca. 



A Adega Pérola é um bar clássico e informal. Tem um balcão espantosamente charmoso e, o melhor, não possui aparelhos de televisão pendurados nas paredes. O que vale ali é a boa conversa fiada, como se diz em Minas.  

Funciona de segunda a sábado e também nos feriados, de 10 horas da manhã à meia-noite, e aceita cartões de débito e de crédito. 

Este legítimo "pé sujo" é um verdadeiro patrimônio imaterial do Rio de Janeiro, cidade que sabe, como poucas, valorizar o que tem de melhor: chope gelado e belisquetes decentes. 



ADEGA PÉROLA
Rua Siqueira Campos, 138 A - Copacabana
Rio de Janeiro, RJ
Tel: (21) 2255-9425

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"Empada de queijo" (Ponto da Empada - Belo Horizonte, MG)



Quando eu era criança, existiam poucos sabores de empada. Eles eram três ou, no máximo, quatro, como frango, queijo, camarão e bacalhau. E bastava. 

Hoje existem lojas que oferecem até 50 opções de recheios. Muitos deles com ingredientes que brigam entre si. Sabores bizarros como picanha ao alho e estrogonofe fazem sucesso em casas especializadas. 

Mas ainda existem lugares que respeitam os clássicos. Uma boa pedida é a versão de queijo do Ponto da Empada, no Mercado Central. Ela supera todas as expectativas. 

Deliciosa, a empadinha é preparada com queijo minas da Serra da Canastra, o que garante a ela o máximo em excelência. 



Como toda empada de queijo que se preze, ela não é fechada por cima e tem massa macia, porém firme. 



O recheio é úmido e tem coloração creme, e o sabor do queijo canastra - um dos melhores do mundo - é levemente ácido sem deixar a suavidade de lado. 

É um salgado que não tem nada de artificial, nada de requeijão ou de misturas de queijos. E também nada de molho que dificulte um momento tão simples e prazeroso. 

É raro encontrar ulguma unidade deste sabor após as 16h:30. 



Do forno saem outros 14 sabores do quitute. Alguns são tradicionais, como os de frango com azeitona e de bacalhau. Outros são menos ortodoxos, como o de jiló com carne seca. 



Cada empada sai a R$3 e o cliente pode optar pela promoção que inclui um copo de refresco e custa R$4. 

O Ponto da Empada aceita dinheiro e cartões de débito, e tem duas unidades no Mercado Central, que funcionam de segunda a sábado, de 7h as 18h, e aos domingos até as 13 horas. 



Vale a pena se divertir assistindo ao preparo das empadas, que durante todo o dia saem das habilidosas mãos das funcionárias direto para o forno a gás da loja matriz. 





PONTO DA EMPADA
Avenida Augusto de Lima, 744 - LJ.186 - Mercado Central - Centro
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3274-9570

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"Mojito" (Estabelecimento - Belo Horizonte, MG)



Assim como o petit gateau, a comida japonesa e os cupcakes, o mojito se popularizou de tal forma nos últimos anos que não é difícil encontrá-lo por aí. 

Justamente por isso, não é fácil encontrar uma versão que nos emocione. A não ser que você vá ao Estabelecimento. 

Lá é possível se encantar com o melhor coquetel à base de rum branco da capital mineira. 



Um clássico cubano, a bebida é servida em copo longo e preza pelo equilíbrio. Quer dizer, não peca pelo excesso de açúcar, não é muito forte mas nem por isso é aguada e sem vida. 



Poucas bebidas são tão refrescantes quanto o mojito, que custa R$15. Quem preferir a versão com o rum Havana Club vai pagar R$18. 



Para acompanhar, a dica é o delicioso bolinho de arroz com jiló (R$25 a porção com oito unidades), que se tornou um hit do local e que só é frito após o pedido do cliente. 





Comandado pelo simpático Livinho, o bar tem mesas que dividem espaço com uma grande jabuticabeira. 

Funciona de terça a sábado, de 18h a 1h, oferece comanda individual e aceita cartões de crédito e de débito. 

Tomar um mojito no Estabelecimento é deixar a vida fluir, é deixar o amor acontecer.


ESTABELECIMENTO BAR
Rua Monte Alegre, 160 - Serra
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3223-2124
http://www.barestabelecimento.com/

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Pão com linguiça" (Churrascaria & Lanchonete da Celinha - BR 040)



Verificar pneus, freio, motor, extintor e paletas do limpador de para-brisas. Se for viajar, se previna para não ser surpreendido no percurso até o seu destino. 

E se a BR-040, no sentido Belo Horizonte - Rio de Janeiro, for o caminho, não deixe de forrar o estômago na Lanchonete da Celinha. 



À margem da rodovia, localizado em Ribeirão do Eixo, distrito de Itabirito, o restaurante e lanchonete serve ótimo pão com linguiça, um clássico das estradas mineiras. 



O pãozinho francês não é quente, mas é novo, o que nem sempre é comum em lanchonetes de beira de estrada. 



Produzida no local, a linguiça de porco caseira é frita sobre uma grande chapa até que fique no ponto. Ela é rústica e saborosa. 



Cheia de personalidade, tem quantidade equilibrada de gordura e é mais escura, já que não tem conservantes ou aditivos. Ela pode ser comprada crua e o quilo vale R$18.



O grande segredo do sanduíche é colocar um pouco da deliciosa mostarda com ervas da marca "Milagre de Minas". Produzida em Ouro Preto, a receita leva o ingrediente principal nas versões em pasta e em pó, além de açúcar e especiarias. 



Levemente adocicada, ela é menos densa que a mostarda Dijon.

Poucos potes ficam disponíveis para os clientes. Por isso, muitos passam por ali sem saber da existência do saboroso molho. Se quiser levar para casa, o vidro com 350 gramas vai lhe custar R$18. 





O pão com linguiça custa R$6, e há algumas versões mais robustas, como a que leva requeijão caseiro derretido, que faz muito sucesso e sai por R$8,50. 

Para acompanhar, vale a pena pedir uma Coca-Cola gelada e envasada em garrafa de 290ml, que vale R$2,50.

A Celinha também funciona como restaurante e serve refeições no sistema self-service com churrasco. Mas a especialidade da casa é o pão com linguiça. 

Ele é tão confortante, que colocar requeijão, salada ou qualquer outro acompanhamento torna-se um exagero desnecessário. 

A lanchonete funciona todos os dias de 6h as 22h e aceita cartões de crédito e de débito. 

De barriga cheia, é hora de pegar a estrada e dirigir rumo ao seu destino. 

Boa viagem!



CHURRASCARIA E LANCHONETE DA CELINHA
Rodovia BR-040, KM 588
Ribeirão do Eixo, distrito de Itabirito (MG)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

"Chips de jiló" (Bar do Antônio "Pé de Cana" - Belo Horizonte, MG)


Torresmo, filé com fritas, moela, carne de panela, almôndega, pernil e pastel de angu. A variedade de tira-gostos em nossos botecos faz com que gregos e troianos fiquem satisfeitos na segunda casa de todo boêmio.

Mas são os petiscos mais leves os capazes de não deixar o apreciador de uma boa gelada empanzinado. Afinal, como diz o texto daquele comercial, ela tem que descer redondo.

Boa opção para uma dobradinha de sucesso é o inusitado chips de jiló servido no tradicional Bar do Antônio, no bairro Sion.


O fruto do jiloeiro é cortado em fatias bem finas antes de ser empanado com farinha de trigo e jogado em óleo quente para fritar.


Nos pedaços com mais farinha - aqueles empanados com perfeição - o jiló tem amargor equilibrado. As fatias em que ela não pegou tão bem - poucas, diga-se de passagem - denunciam amargor mais pungente.




A porção custa R$9,80 e, não raramente, é devorada com rapidez pelos ávidos fãs da iguaria, que, aos poucos, deixa de ser o patinho feio da turma, como já aconteceu com o quiabo, hoje presente na cozinha de grandes chefs, como Alex Atala e Roberta Sudbrack.

O preço da cerveja de 600ml varia de R$5,50 (Brahma) a R$6,70 (Original e Serra Malte). Loiras importadas constam no cardápio e têm valor mais alto.

O bar ainda oferece mais de 60 opções de petiscos, carnes, salsichas artesanais e sanduíches, além de excelentes PFs no almoço.

O Pé de Cana, como também é conhecido, não aceita cheques, mas trabalha com cartões de crédito e de débito Visa, Mastercard e American Express.

Funciona de segunda a sábado, de 11h a 1h, e aos domingos, das 11h às 19h.


   
BAR DO ANTÔNIO "PÉ DE CANA"
Rua Flórida, 15 - Sion
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3221-2099


*Atualmente, a porção de chips de jiló custa R$12. O preço da cerveja de 600 ml varia de R$6,50 (Brahma) a R$7,50 (Original, Serra Malte, Bohemia e Brahma Extra). (Preços atualizados neste blog em 28 de agosto de 2013). 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

"PF de arroz, feijão, bife a rolê, farofa e salada de batata com maionese" (Maurício - Belo Horizonte, MG)


A sua comida é tão boa que o restaurante nem precisa de placa indicativa na porta, até porque quem mora ou trabalha na região sabe que o melhor PF da Savassi, quiçá de Belo Horizonte, é o servido no Maurício.

Há mais de 15 anos a fiel clientela lota diversas vezes ao dia as 16 mesas, de dois lugares cada, espalhadas pelo salão em busca de comida simples, farta, bem-feita e com ótimo custo/benefício.

Nestes tempos de Facebook e de Big Brother, em que restaurantes que servem comida a quilo tomaram de assalto as esquinas dos grandes centros, comer um bom prato feito é algo digno de nota.

Aberto de segunda a sexta-feira, a partir das 11 horas, o restaurante se especializou em servir almoço.

E nada de cardápio extenso. A cada dia da semana, uma opção.

O prato das quartas-feiras é composto por arroz, feijão, bife a rolê, salada de batatas com maionese e farofa.


Um dos trunfos do Maurício - chamado assim em referência ao nome de seu proprietário - é a dupla arroz e feijão, preparada com esmero de mãe.

O primeiro é soltinho e vem em boa quantidade, mas sem o exagero tão comum quando se trata do clássico e quase extinto PF. O segundo tem um toque de alho capaz de fazer qualquer um raspar o prato ao final da refeição.


A farofa de ovos é finalizada com cheiro verde, e carne e maionese são servidos separadamente.


O suculento bife a rolê é recheado com um pedaço de bacon e chega imerso em encorpado molho com pedacinhos de tomate.


A boa salada de batatas com maionese é preparada com azeitonas verdes picadas, cenoura e cheiro verde.


O prato custa R$9, mesmo preço do marmitex, e quem não quiser carne de boi pode optar por filé de frango grelhado.

Nas segundas e quintas o PF é composto por arroz, feijão, bife de boi, batatas fritas e salada de alface e tomate. Terça é dia de arroz, feijão, salada, purê de batata e carne cozida ou bife de porco acebolado. E sexta é a vez de arroz, feijão tropeiro, ovo frito, linguiça e couve.

É comida caseira que conforta a alma. Isso explica o sucesso de um restaurante que se dá ao luxo de não vender cerveja e de não abrir à noite e aos finais de semana.

Refrigerantes e sucos em lata custam R$3 a unidade, e cartões de débito e de crédito não são aceitos.

A comida servida ali é tão deliciosa que já roguei ao proprietário e até a Deus para que o restaurante abra aos sábados para servir feijoada.

E continuarei rogando, enquanto tiver força.



MAURÍCIO
Rua Paraíba, 1064 - Funcionários
Belo Horizonte, MG
(31) 3261-6963

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Bolinho de arroz com jiló" (Estabelecimento - Belo Horizonte, MG)


Petiscos de boteco que acompanham bem a cerveja gelada existem aos montes. Dentre eles, um clássico é o bolinho frito, seja ele recheado com bacalhau, carne, camarão ou até com feijoada.

Um dos melhores de Belo Horizonte é o servido no bar Estabelecimento, localizado no bairro Serra, na região Centro-Sul da capital mineira.

Recheado com arroz e jiló, ficou tão famoso que teve sua receita transmitida no programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga na Rede Globo.


Os bolinhos são preparados com arroz amanhecido e têm o interior esverdeado devido ao uso de jiló, espinafre e orégano no recheio.


Essa mistura suaviza o sabor amargo do jiló e faz com que até quem não goste deste fruto sinta-se à vontade ao comer o ótimo tira-gosto.

O queijo canastra está presente tanto no recheio, em pedaços, quanto na finalização do preparo, quando é salpicado sobre os bolinhos juntamente com cheiro verde.


O sabor é enriquecido com o suave molho de pimenta malagueta que fica sobre as mesas.


A porção com oito unidades sai a R$24.

Boas pedidas para acompanhar a fritura são as cervejas em garrafas de 600ml, com preços que variam de R$5,90 a R$6,40 cada.

Sanduíches, porções e caldos também estão presentes no cardápio, que tem outros bolinhos como destaque: de arroz da dona Lurdinha, em homenagem à mãe do proprietário (R$22, oito unidades), de bacalhau (R$18, dez unidades) e de mandioca crua (R$16, seis unidades).

O Estabelecimento não possui placa de identificação na fachada, funciona no quintal de uma casa e suas mesas dividem espaço com uma grande jabuticabeira.


A cozinha é aberta e, justamente por isso, é possível acompanhar o esmerado preparo dos pratos que saem a todo instante.

O bar abre de terça a sábado, de 18h a 1h, oferece comanda individual e aceita cheques e cartões de crédito e débito Visa, Mastercard e Diners.

A combinação de bolinho de arroz com jiló e cerveja gelada é capaz de proporcionar momentos de alegria a quem chega para aproveitar o início da noite naquele local com clima de quintal da vovó.





ESTABELECIMENTO BAR
Rua Monte Alegre, 160 - Serra
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3223-2124