sexta-feira, 11 de outubro de 2013

"Chope Brahma e torresminho" (Bunda de Fora - Rio de Janeiro, RJ)



O Bunda de Fora, como o nome já indica, é um autêntico "pé-sujo", localizado na nobre Ipanema. 

A uma quadra da areia, é boa opção para molhar a goela e comer um tira-gosto antes ou depois da praia. 

Gelado e muito bem tirado, o chope Brahma chega com dois dedos do cremoso colarinho e custa R$4. 





Para acompanhar, vale a pena pedir uma porção do ótimo torresmo preparado na casa. 



Sequinho, crocante e com boa quantidade de carne, é vendido por unidade (R$0,50 cada). 



Outras opções de petiscos, como carne assada, pernil e empadinhas, também ficam expostas na estufa do balcão. 



Da cozinha saem sanduíches, refeições e 29 opções de belisquetes. Tudo anunciado em cardápio bilíngue, com tradução literal para o inglês. 

O sanduíche de contrafilé com queijo e salada (R$10), por exemplo, virou against filet with cheese and salad. Seria algo como "contrário ao filé" com queijo e salada. 



O que não se sabe é se foi um erro de quem se atreveu a mexer com língua estrangeira por meio de tradutores eletrônicos da internet, ou se o tom é de brincadeira mesmo, para divertir o cliente mais antento. 

Com mesas e cadeiras de madeira na parte interna e na calçada, o bar tem boa parte de sua freguesia formada por moradores do bairro, que discutem, basicamente, sobre futebol e política. 



O Bunda de Fora entrega em domicílio, aceita todos os cartões de crédito e de débito, e funciona diariamente, das 7 horas da manhã à meia-noite. 

Após 40 minutos, cinco chopes e seis torresminhos, é hora de tirar o cotovelo do balcão, pagar a conta, comprar um chinelo na vendinha ao lado e caminhar por 100 metros até chegar à praia. 


BUNDA DE FORA 
Rua Vinícius de Moraes, 146 - Ipanema 
Rio de Janeiro, RJ
Tel: (21) 2513-4745

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

"Água de coco" (O Coco do Luciano - Rio de Janeiro, RJ)



Nem só de cerveja e chope vive o homem. Eu já deveria saber disso. Mas só fui entender numa manhã de domingo, enquanto caminhava pela Lagoa Rodrigo de Freitas, em direção a Ipanema e ainda sentindo os efeitos da noite anterior. 



Para minha sorte, na Curva do Calombo, exatamente em frente ao número 3490 da Avenida Epitácio Pessoa, está a banca do paraibano Luciano dos Santos, "cabra macho" que, entre um golpe e outro de facão, se exibe para sua clientela. 



Detentor de técnica apurada, Luciano faz com que seja obrigatória uma parada em seu carrinho. 



Tomar uma água de coco ali é uma experiência singular e custa R$5. 

Para começar, o comprador pode escolher como quer o fruto. "Eu sei como o cliente gosta. Alguns preferem mais doce, outros pedem menos gelado e com a carne mais fina", se gaba. 

Depois de escolhido, ele raspa as beiradas do coco para que ele fique com um aspecto mais atraente. 



A qualidade de seu produto é sentida ao primeiro gole: muito água e doçura irresistível. 







Mas o show não para por aí. No final, o cliente pode pedir para que Luciano abra o fruto e retire a "carninha" para comer com as mãos. 







Natural de Itapororoca, Luciano dos Santos está há 30 anos no Rio de Janeiro, 22 deles vendendo coco, dos quais 10 neste ponto da lagoa. 

O Coco do Luciano só aceita dinheiro e funciona de segunda a sexta, de 7h as 14h, e aos sábados, domingos e feriados, das 7h às 19h. 

Gentileza, bom-humor e conhecimento fazem com que este paraibano conversador e brincalhão tenha freguesia cativa. 



Muitos dos que passam pelo local são chamados pelo primeiro nome ou pelo apelido. "Hoje eu vendo para adultos, para crianças e até para cachorros", finaliza, antes de dar a última raspadela cheia de suingue no coco e entregar os pedaços da grossa polpa para uma jovem que fazia corrida e cuidava do corpo. 



O COCO DO LUCIANO
Curva do Calombo (Avenida Epitácio Pessoa, em frente ao número 3490) - Lagoa
Rio de Janeiro, RJ

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"Alho espanhol, coração alado e outros acepipes" (Adega Pérola - Rio de Janeiro, RJ)



Poucas vezes me emocionei tanto ao entrar num bar. Somente ao enxugar as finas lágrimas que caiam dos meus olhos foi que me dei conta de que chegara realmente à Adega Pérola, localizada em um dos pontos mais boêmios de Copacabana. 



Aberto em 1957, o tradicional boteco foi fundado por portugueses e hoje é comandado por três antigos clientes, que mantiveram as características originais do lugar. 



A Adega Pérola é um verdadeiro bar de tapas, com mais de 100 opções de petiscos expostos numa vitrine e vendidos em porções de, no mínimo, 100 gramas. 





As tapas são entradinhas ou aperitivos ideais para compartilhar em grupo. Elas são muito comuns em alguns países da Europa, principalmente na Espanha. 



O alho espanhol é uma boa pedida e sai a R$14 cada 100 gramas. 





Preparada com azeite, pimenta calabresa e especiarias, a ótima conserva não tem gosto forte, não arde e não deixa rastros na boca. 

Quer dizer, ela é equilibrada, não agride o paladar e prova que alho e azeite ainda formam uma ótima dupla. 

Só provando o crocante dente de alho inteiro e cru para acreditar. 



Para acompanhar a receita, que é guardada a sete chaves, vale a pena pedir uma tulipa do bem tirado chope Brahma (R$6) e uma cestinha de pão francês fatiado (R$1,50) para molhar no azeite. 



Imagino que esta conserva de alho case muito bem com uma suculenta picanha preparada na churrasqueira. 

Entre as várias opções de acepipes, vendidos por 100 gramas, estão as batatinhas calabresas (R$6), as azeitonas gregas (R$9) e espanholas (R$10), o bacalhau em lascas (R$18), o polvo (R$20), o camarão (R$18) e o escabeche de salmão defumado (R$22). A sardinha portuguesa é vendida por unidade (R$7 cada). 









Eleito o melhor boteco do Rio na edição 2012 da revista Veja Comer & Beber, a Adega Pérola tem uma atmosfera ímpar, onde fica fácil fazer amizade e bater papo com os frequentadores que se apertam entre o extenso balcão e as sete mesas coletivas de madeira com banqueta fixa. 



A calçada também fica cheia e o freguês pode tomar um chope ali mesmo, sem a necessidade de pagá-lo antecipadamente. Funciona na base da confiança mesmo. 



Da cozinha saem os petiscos quentes, como o famoso bolinho de bacalhau, a sardinha frita e o frango a passarinho. O cardápio é anunciado em cartazes escritos à mão. 



O coração alado (coraçõezinhos de galinha fritos com cebola e muito alho) é uma boa opção e custa R$16. 

Saborosa, a porção acompanha cesta de pão francês e poderia ser um pouco maior. 



Nos primeiros anos de existência, o bar oferecia vinhos em galão - daí o seu nome -, que com o passar do tempo ganhou uma função decorativa, já que o chope dominou completamente a cena. 

De qualquer forma, a casa ainda mantém uma carta de vinhos e os mais conservadores podem optar pela bebida em caneca. 



A Adega Pérola é um bar clássico e informal. Tem um balcão espantosamente charmoso e, o melhor, não possui aparelhos de televisão pendurados nas paredes. O que vale ali é a boa conversa fiada, como se diz em Minas.  

Funciona de segunda a sábado e também nos feriados, de 10 horas da manhã à meia-noite, e aceita cartões de débito e de crédito. 

Este legítimo "pé sujo" é um verdadeiro patrimônio imaterial do Rio de Janeiro, cidade que sabe, como poucas, valorizar o que tem de melhor: chope gelado e belisquetes decentes. 



ADEGA PÉROLA
Rua Siqueira Campos, 138 A - Copacabana
Rio de Janeiro, RJ
Tel: (21) 2255-9425

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"Empada de queijo" (Ponto da Empada - Belo Horizonte, MG)



Quando eu era criança, existiam poucos sabores de empada. Eles eram três ou, no máximo, quatro, como frango, queijo, camarão e bacalhau. E bastava. 

Hoje existem lojas que oferecem até 50 opções de recheios. Muitos deles com ingredientes que brigam entre si. Sabores bizarros como picanha ao alho e estrogonofe fazem sucesso em casas especializadas. 

Mas ainda existem lugares que respeitam os clássicos. Uma boa pedida é a versão de queijo do Ponto da Empada, no Mercado Central. Ela supera todas as expectativas. 

Deliciosa, a empadinha é preparada com queijo minas da Serra da Canastra, o que garante a ela o máximo em excelência. 



Como toda empada de queijo que se preze, ela não é fechada por cima e tem massa macia, porém firme. 



O recheio é úmido e tem coloração creme, e o sabor do queijo canastra - um dos melhores do mundo - é levemente ácido sem deixar a suavidade de lado. 

É um salgado que não tem nada de artificial, nada de requeijão ou de misturas de queijos. E também nada de molho que dificulte um momento tão simples e prazeroso. 

É raro encontrar ulguma unidade deste sabor após as 16h:30. 



Do forno saem outros 14 sabores do quitute. Alguns são tradicionais, como os de frango com azeitona e de bacalhau. Outros são menos ortodoxos, como o de jiló com carne seca. 



Cada empada sai a R$3 e o cliente pode optar pela promoção que inclui um copo de refresco e custa R$4. 

O Ponto da Empada aceita dinheiro e cartões de débito, e tem duas unidades no Mercado Central, que funcionam de segunda a sábado, de 7h as 18h, e aos domingos até as 13 horas. 



Vale a pena se divertir assistindo ao preparo das empadas, que durante todo o dia saem das habilidosas mãos das funcionárias direto para o forno a gás da loja matriz. 





PONTO DA EMPADA
Avenida Augusto de Lima, 744 - LJ.186 - Mercado Central - Centro
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3274-9570

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"Mojito" (Estabelecimento - Belo Horizonte, MG)



Assim como o petit gateau, a comida japonesa e os cupcakes, o mojito se popularizou de tal forma nos últimos anos que não é difícil encontrá-lo por aí. 

Justamente por isso, não é fácil encontrar uma versão que nos emocione. A não ser que você vá ao Estabelecimento. 

Lá é possível se encantar com o melhor coquetel à base de rum branco da capital mineira. 



Um clássico cubano, a bebida é servida em copo longo e preza pelo equilíbrio. Quer dizer, não peca pelo excesso de açúcar, não é muito forte mas nem por isso é aguada e sem vida. 



Poucas bebidas são tão refrescantes quanto o mojito, que custa R$15. Quem preferir a versão com o rum Havana Club vai pagar R$18. 



Para acompanhar, a dica é o delicioso bolinho de arroz com jiló (R$25 a porção com oito unidades), que se tornou um hit do local e que só é frito após o pedido do cliente. 





Comandado pelo simpático Livinho, o bar tem mesas que dividem espaço com uma grande jabuticabeira. 

Funciona de terça a sábado, de 18h a 1h, oferece comanda individual e aceita cartões de crédito e de débito. 

Tomar um mojito no Estabelecimento é deixar a vida fluir, é deixar o amor acontecer.


ESTABELECIMENTO BAR
Rua Monte Alegre, 160 - Serra
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3223-2124
http://www.barestabelecimento.com/