terça-feira, 7 de junho de 2011

"Bolinhos diversos, empada de camarão e chope Brahma" (Bar Bracarense - Rio de Janeiro, RJ)



Eleito duas vezes o melhor bar do Brasil pelo jornal The New York Times, e apontado em quatro ocasiões como o melhor do Rio de Janeiro pela prefeitura local, o Bracarense é um orgulho para os cariocas. 



Localizado no charmoso bairro Leblon, o bar ficou conhecido por seus deliciosos bolinhos, pela sua empadinha de camarão, pelo chope gelado e por seus frequentadores famosos, como Chico Buarque e o pessoal do Pasquim. 

Do minuto em que pisei no Braca até o momento em que paguei a conta, passei por intensas sensações. 

A decepção bateu logo na entrada, ao experimentar o outrora sublime bolinho de aipim recheado com camarão e Catupiry (R$3 a unidade), que já não é mais o mesmo. 

A receita original foi levada pelo garçom Chico e pela cozinheira Alaíde para o bar que abriram no mesmo bairro e que leva o nome deles. 

Hoje só restou uma massa um pouco grossa e pesada. 

Ainda assim, é um bolinho acima da média, apesar de ser apenas sombra do que já foi. 



O bolinho de bacalhau (R$3 a unidade) continua espetacular, sequinho, no tamanho certo, caprichado no recheio e salpicado por cheiro-verde. Basta uma gota de azeite para se sentir no paraíso. Faz par perfeito com o leve e gelado chope Brahma, a R$4,25 o copo com 300ml. 





Sempre cheio, e lotado nos finais de semana, o Bracarense é um boteco de alma carioca, barulhento e caótico, com pessoas espalhadas pelas mesas nas calçadas e pelos banquinhos altos no balcão. Isso sem contar os inúmeros clientes que ficam em pé na rua ou dentro do bar. 

E nada de tulipa especial para o chope, que vem em um copo longo e de espessura fina. 





Além dos famosos bolinhos, o cardápio oferece a clássica empada de camarão (R$3,20 a unidade), que me fez recordar com emoção as primeiras vezes em que estive em tão sagrado solo. 



Com massa podre e recheada com camarões médios em meio a um denso creme e a uma azeitona preta com caroço, a empada, tão copiada Brasil afora, continua imbatível.







Como os salgados ficam na estufa, a dica é pedir para o garçom avisar quando saírem novas fornadas. Assim, os bolinhos e empadinhas poderão ser degustados em seu auge. 





Perdi todo o receio de que o Bracarense não fosse o mesmo dos velhos tempos quando coloquei na boca o delicioso e suculento pernil. 

Macio, tenro e muito bem temperado, este amado corte do porco é servido tanto em porções como em sanduíches. É um dos petiscos mais vendidos do bar. 



Mas a felicidade plena só foi alcançada ao experimentar o curioso bolinho de feijoada (R$3,20 a unidade). 

A casquinha crocante e sequinha de fubá tem como recheio uma temperada pasta de feijão preto, bons pedaços de bacon e couve. É uma verdadeira feijoada frita. Uma maravilha!





Quem quiser cerveja não vai encontrá-la no Bracarense, e quem tiver a petulância de não pedir um chope pode relaxar, pois a caipivodca de maracujá do local (R$11,50) sai às centenas durante todo o dia. 

O caos organizado, a falta de espaço e as paredes repletas de quadros com diplomas e premiações não deixam de ser um charme à parte deste, que é o mais famoso bar do Rio de Janeiro. 



O Bracarense não possui franquias ou filiais, e não aceita cartões de crédito. Cheques e cartões de débito Visa são aceitos. Os 10%, referentes ao serviço de garçom, são cobrados, apesar do cardápio afirmar o contrário. 

Funciona de segunda a sexta, das 8h à meia-noite, e aos sábados e feriados, das 9h:30 à meia-noite. Aos domingos atende de 10h as 22h. 

No caminho entre a decepção e a emoção estavam algumas horas, boas conversas, empadinhas de camarão e um curioso bolinho. Quanto ao chope, só ele já vale a visita. 

Definitivamente, eu poderia morar no Bracarense. 




BAR BRACARENSE
Rua José Linhares, 85 B - Leblon
Rio de Janeiro (RJ)
Tel: (21) 2294-3549


*Atualmente, o bolinho de aipim recheado com camarão e Caturpiry custa R$3,80. O de bacalhau sai por R$3,60. O chope Brahma de 300ml vale R$5,85. A empadinha de camarão tem o preço de R$3,90, mesmo preço do bolinho de feijoada. (Preços atualizados neste blog em 29 de outubro de 2013).

domingo, 29 de maio de 2011

"Empada aberta de camarão com Catupiry" (Boteco Belmonte - Rio de Janeiro, RJ)

A massa leve e saborosa, o Catupiry em generosa quantidade e os fartos camarões confortam o corpo e a alma já na primeira garfada. A empada aberta do Boteco Belmonte deveria ser tombada como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro.

A perfeita empada do Belmonte (reprodução internet)

Motivos não faltam para isso. São camadas de sabor, a começar pela fina massa, que está ali apenas para servir de cama para os camarões perdidos em meio ao verdadeiro requeijão da marca Catupiry, o único que pode ser chamado por este nome. Para finalizar, um belo camarão vai de ponta a ponta da empada.

Some-se a isso o delicioso contraste do queijo gratinado sobre o Catupiry, formando uma casquinha irresistível sob o camarão principal. O ideal é comer com garfo e faca, já que o farto recheio pode cair no caso de usar apenas as mãos para levar a empada à boca.

Custa R$7,50 e vale cada centavo gasto.

Empada aberta de camarão com Catupiry custa R$7,50

Aberto em 1952, o Belmonte está presente em sete endereços na Cidade Maravilhosa. A unidade de Copacabana possui amplo salão interno decorado com centenas de garrafas e quadros que exaltam o bar, que também conta com algumas mesas na varanda.

O amplo salão interno da filial Copacabana

Hits da casa, as empadas desfilam sobre uma grande forma de alumínio equilibrada por um dos garçons.

As empadas são os hits do Boteco Belmonte

As mais disputadas são as empadas abertas de camarão com catupiry, de siri (R$7,50) e de carne seca com catupiry (R$7).

Para quem não se interessou, o cardápio do local lista mais de 150 opções entre bolinhos, petiscos, caldos, sopas, saladas, pizzas e pratos com carnes e peixes. Além de seus famosos pastéis e sanduíches.

Dentre essa gama de opções estão as ótimas batatas portuguesas, que são aquelas do tipo chips. Crocantes e sequinhas, elas são cortadas finamente e chegam bem quentes à mesa. A porção custa R$15 e é uma bela pedida para acompanhar o bem tirado chope Brahma, a R$4,20.

Batatas portuguesas acompanham bem o chope

Vale a pena pedir também o chope Brahma Black, a R$6. Leve e extremamente cremoso, quando colocado no copo produz um efeito cascata lindo de se ver. A bebida escura equilibra um moderado amargor a um leve toque adocicado.

O Brahma Black ainda não chegou a Belo Horizonte, mas pode ser encontrado, além do Rio, em algumas capitais, como São Paulo e Curitiba.

Efeito cascata é um dos charmes do Brahma Black

A clientela do Belmonte é uma mescla de jovens e de experientes, e o falatório traduz a alegria do carioca, que sabe aproveitar a vida como poucos.

O boteco de estilo português aceita todos os cartões de crédito, e o atendimento é rápido, graças à grande quantidade de garçons.

Vale a pena conhecer o local, seja no happy hour ou no adentrar da madrugada. E se for pedir a empada aberta de camarão com catupiry, saiba que, pelo menos por um instante, o mundo estará em perfeita harmonia.

O Belmonte está em sete endereços no Rio de Janeiro


BOTECO BELMONTE
Rua Domingos Ferreira, 242 - Copacabana
Rio de Janeiro (RJ)
Tel: (21) 2255-9696

*Veja também: Pastel de camarão (Batista Bar - Barbacena, MG) - http://bit.ly/dctGTs

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Torresmo de barriga" (Patorroco - Belo Horizonte, MG)

Torresmo, em Minas Gerais, é tratado como assunto de Estado. Por aqui, algumas casas o preparam com muito esmero, mas a maioria oferece algo que não merece ser chamado por este nome.

O problema é que em Belo Horizonte grande parte dos donos de boteco acha que sabe fazer torresmo, assim como boa parcela dos brasileiros acha que sabe preparar um bom churrasco.

Após muita procura, encontrei o torresmo perfeito no Patorroco, simpático boteco localizado na esquina das ruas Turquesa e Pedra Bonita, no bairro Prado.

Esquina de Turquesa e Pedra Bonita, onde fica o bar

Sequinho e crocante por fora, o imoral e pornográfico torresmo tem quantidade generosa da mais suculenta carne de barriga do porco, e chega à mesa acompanhado da saborosa geléia de abacaxi com pimenta.

O imoral e pornográfico torresmo de barriga

Para os liberais, o molho funciona muito bem e tem a função de “quebrar” o excesso de gordura natural do corte. O abacaxi se destaca e a temperatura fria cria um contraste interessante com o estouro dos pequenos pedaços de barriga suína na boca.

Os conservadores podem dispensar o molho, pois o torresmo do Patorroco dá conta do recado sozinho. A porção custa R$17,90.

Geléia de abacaxi com pimenta acompanha o corte do porco

Conhecido por oferecer ótima comida, mas sem perder o clima de bar, o Patorroco tem na apresentação dos pratos um de seus grandes trunfos. São petiscos para comer com os olhos também.

Destaque também para a porção de carne de panela com mandioca cozida, a R$25,90, e para o curioso acarajé mineiro (bolinho de feijão, creme de milho com queijo substituindo o vatapá, mamão verde refogado no lugar do vinagrete e lingüiça desconstruída fazendo as vezes do camarão), que representou o bar no festival Comida di Buteco em 2007. Custa R$24,50, a porção com 8 unidades, R$14,90, a meia porção, e R$4,50 a unidade.

O local é um ponto de encontro de jipeiros, já que o proprietário Marcos Machado, cujo apelido dá nome ao estabelecimento, é um apaixonado por trilhas e aventuras sobre quatro rodas, e as mesas espalhadas pelo salão interno e pela calçada estão sempre cheias.

O disputado salão interno do Patorroco


Além das cervejas Bohemia (R$5,50), Brahma Extra (R$5,90) e Original (R$5,90), o cardápio oferece chope Krug Bier (R$3,90) e cinco rótulos de cachaça, com preços que variam de R$3,90 a R$8.

O Patorroco aceita somente cartões de débito Mastercard e funciona de segunda a sexta-feira, das 17h às 23h:30, e aos sábado e feriados de 12h as 23h.


PATORROCO
Rua Turquesa, 865 - Prado
Belo Horizonte, MG

segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Homus e quibe cru + carne damasco" (Bar do Toninho - Belo Horizonte, MG)

Vila Árabe e Tenda do Sheik são duas ótimas casas especializadas em culinária libanesa em Belo Horizonte. A primeira tem cardápio requintado e preços salgados. Já a segunda é uma agradável choperia com mesas na calçada.

Mas qual seria a solução para os amantes da chamada comida árabe que não abrem mão de um bom boteco?

A resposta veio por meio de alguns amigos que indicaram o Bar do Toninho, no bairro Serra.

Aberto em 1958 como armazém e transformado exclusivamente em bar em 1983, o "Toninho" é um boteco à moda antiga, que tem 10 mesas distribuídas pelo pequeno salão e que não tem cardápio individual, e sim um quadro na parede que indica todos os itens oferecidos e seus respectivos preços.


O atendimento é feito pelo proprietário que dá nome ao bar e por seu filho, Daniel, e o preparo dos petiscos fica a cargo da família.


A maior atração é a porção mista de homus (pasta de grão de bico) com quibe cru, a R$12.


O espetacular homus é cheio de vida, e não tem aquele sabor residual que, não raramente, encontramos por aí.

Já o ótimo quibe cru é preparado com carne magra, tem sabor suave e quantidade equilibrada de trigo.

Deve-se ressaltar o cuidado na montagem do prato, que, antes de chegar à mesa, recebe uma generosa quantidade de azeite e pequenos bastões de cebola crua, que são distribuídos sobre a porção.

Todo este trabalho fica a cargo do próprio Toninho.




Na estufa refrigerada do bar chama atenção também a carne damasco, que é um petisco frio preparado com finas fatias de lagarto, cebolas roxas e brancas cruas, pimentões vermelho e amarelo, damasco e orégano. Ela é leve, saborosa e conquista pelo frescor, como tudo que é servido no bar. Custa R$15.


Acompanhamento ideal, o pão sírio é o único item não preparado na casa. Ele já chega partido em pequenos triângulos e custa R$0,65 cada.

Fazem sucesso também a boa esfiha fechada de carne (R$2,50) e o quibe (R$2,50), que é apenas regular, mas que só é frito após o pedido do cliente.

Outro fator positivo é que a cerveja do local sempre chega à mesa estupidamente gelada, muitas vezes com o chamado "véu de noiva", que é quando a garrafa fica branca por fora devido ao seu resfriamento. Daí a menção honrosa que recebeu do Festival Comida di Buteco em 2003 por ter a cerveja mais gelada entre os bares participantes. Brahma, Skol e Antarctica são os rótulos oferecidos a R$4. Cada garrafa de Bohemia, Original e Serra Malte custa R$5.

Por falar em Comida di Buteco, o Toninho não participa desta edição e, por isso, é uma ótima opção para quem quer fugir da confusão dos bares participantes, que estão sempre lotados e, muitas vezes, com atendimento caótico.

Outros indícios de que o estabelecimento é um bar à moda antiga são a não aceitação de cartões de débito e de crédito, a clientela predominantemente masculina e composta por moradores da vizinhança, e a comanda, que chega à mesa com anotações feitas à caneta.

O Bar do Toninho não cobra os 10% relativos ao serviço de garçom e funciona de segunda a sexta, das 17h:30 às 23 horas, e aos sábados, de 14h às 18h. Toda terça tem charuto de repolho.

Mas atenção, tudo indica que, se você for ao "Toninho" uma única vez, há grandes chances de se transformar em freguês assíduo deste agradável boteco familiar.




BAR DO TONINHO
Rua Níquel, 246 - Serra
Belo Horizonte, MG

sábado, 23 de abril de 2011

"Filé à surprise" (Casa dos Contos - Belo Horizonte, MG)

Escrevo estas linhas ainda sob forte emoção, após jantar a melhor refeição de que se tem notícia em Belo Horizonte.

OK, esta afirmação pode parecer exagerada, mas não há como me prender na inatingível busca pela objetividade jornalística ao escrever sobre o filé à surprise da Casa dos Contos. É algo de outro mundo.

Como não se emocionar ao cortar um macio, suculento e bem temperado filé gigante, à milanesa, crocante por fora e recheado com presunto e com muito queijo muçarela?



Campeão de vendas e um clássico da casa, o filé à surprise é acompanhado de risoto de frango ou arroz à piamontês, batata frita, banana à milanesa e dois ovos fritos. O prato serve três pessoas, ou quatro com apetite moderado. Duas pessoas conseguem comer excepcionalmente bem. Custa R$53,60.

Desconheço um arroz à piamontês tão sublime quanto o da Casa dos Contos. Ele é cremoso e forma uma dupla perfeita com a carne, algo como Tom e Vinícius ou Bebeto e Romário. A leveza e a delicadeza da banana à milanesa fazem um contraste interessante com a robustez do prato.



O filé à surprise é um néctar dos deuses, é o amor em forma de alimento. É sublime!

Ideal para encontros familiares, para ir com os amigos ou mesmo para um jantar a dois, a Casa dos Contos é um restaurante tradicional, que serve fartos e excelentes pratos à la carte. É um ponto de encontro de artistas, jornalistas, boêmios e intelectuais desde sua abertura, em 1975.

Além da localização privilegiada, o restaurante tem ambiente aconchegante e preza pelo bom atendimento, mas não é blasé ou afetado.

Nas paredes do amplo salão interno estão obras de artistas plásticos mineiros, que expõem mensalmente seus trabalhos por ali. Para quem preferir, há uma agradável varanda no salão externo.



O extenso cardápio lista mais de cem opções, entre entradas, saladas, pratos com carne bovina, aves e peixes, massas, especialidades da culinária mineira, sopas, sobremesas e porções.

Para beliscar, uma boa pedida é o combinado Casa dos Contos (R$34), composto por filé, peito de frango, batata frita, palmito, provolone, tomate e azeitona.

Para os que pensam em cometer a heresia de não pedir o filé à surprise, boas opções são os deliciosos filé à brasileira (filé com farofa de ovos, batata frita, banana à milanesa e arroz, a R$43) e surubim gratinado a comodoro (peixe cozido, molho rosado, aspargos, couve-flor, purê de batatas e arroz, a R$54,50).

Existem opções de pratos individuais, que, dependendo da fome de quem pede, servem até duas pessoas.

O local possui carta de vinhos com rótulos de diversos países, além de 12 opções de cervejas, entre elas garrafas de 600ml, como Brahma (R$5,30) e Original (R$5,50). O chope é Antarctica e custa R$3,90 a tulipa com 300ml.

Cheques e todos os cartões de crédito e de débito são aceitos. Funciona de segunda a quinta, de meio-dia as duas da madrugada. Às sextas e sábados o serviço é estendido até as quatro horas da manhã. Aos domingos e feriados funciona até uma da madrugada.

Algumas décadas se passaram e vários modismos culinários com elas se foram, mas os fartos e saborosos pratos da Casa dos Contos permanecem no vasto cardápio do restaurante e também no imaginário daqueles que ali já estiveram. E sempre cobrando preços justos por isso.


Chego ao final deste texto ainda emocionado pela oportunidade de comer algo tão bom quanto o filé à surprise.





RESTAURANTE CASA DOS CONTOS
Rua Rio Grande do Norte, 1065 - Savassi
Belo Horizonte, MG
http://www.restaurantecasadoscontos.com.br/

Tel: (31)3261-5853


*Atualmente, o filé à surprise custa R$58. O combinado Casa dos Contos vale R$39. O filé à brasileira sai por R$47. O surubim gratinado a comodoro custa R$59,50. Quanto às cervejas, Brahma sai por R$5,70 e Original a R$5,90. O chope vale R$4. (Preços atualizados neste blog em 27 de outubro de 2011)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

"Mineirinho" (Bar do Antônio "Pé de Cana" - Belo Horizonte, MG)

Restaurantes self-services que preparam comidas insossas e cadeias de comida rápida que servem sanduíches e pizzas sem vida são as opções mais procuradas pelas pessoas que almoçam na rua, nestes tempos em que todos parecem trabalhar cada vez mais.

Como resultado disso, os tradicionais PFs, como são conhecidos os pratos feitos, foram deixados de lado, e hoje já não fazem tanto sucesso quanto antigamente.

Mas ainda existem lugares que mantêm essa tradição em Belo Horizonte, e de maneira muito competente, diga-se de passagem.

O Bar do Antônio talvez seja o melhor exemplo. Localizado em área nobre da capital mineira, ele é ponto de encontro daqueles que buscam ambiente agradável e qualidade ao fazer suas refeições.



Fundado em 1964, o Pé de Cana, como também é conhecido o bar, tem cardápio extenso, com mais de 60 opções de petiscos, carnes, salsichas artesanais e sanduíches.

Mas é o almoço que sempre reserva boas surpresas, graças às três opções de pratos oferecidos todos os dias, com exceção das sextas e domingos, quando o cliente tem quatro alternativas à escolha.

Algumas sugestões do dia são a rabada (R$18,50), às terças, o feijão tropeiro (R$14,50), às quartas, e o galeto (R$24), oferecido toda quinta-feira.

Às sextas-feiras as mesas do Pé de Cana são concorridas, pois o bar é invadido por publicitários e por clientes que já começam ali mesmo os preparativos para o final de semana. Por isso, a dica é chegar antes de meio-dia ou depois das 14 horas.



As sugestões do dia, na sexta-feira, são língua com purê de batatas (R$18), costelinha com ora-pro-nobis (R$18,50), batata recheada (R$13,50) e o mineirinho (R$13).

Composto por arroz, tutu de feijão, linguiça de porco ao vinho, ovo frito e mostarda refogada, o mineirinho é irresistível, e tenho a impressão de que se ele for degustado em uma das mesinhas de madeira que ficam na calçada, mais saboroso ainda fica.



O arroz é perfeito, pois, além de bem temperado, soltinho e cozido no ponto certo, não vem em quantidade exorbitante, como é comum quando o assunto é prato feito.

Já o tutu tem a textura correta e é leve. Poderia ser um pouco mais temperado, mas o molho de tomates por cima dele compensa esta pequena falha. E a mostarda refogada muda de forma sutil a cara deste tradicional prato da culinária mineira, que geralmente tem a couve como acompanhamento.

Destaque para a excelente e generosa porção de linguiça de porco, sequinha, crocante por fora e macia por dentro. É levemente apimentada e tem um toque de cheiro verde. Ao contrário da informação passada pelo garçom, ela não chegou à mesa com molho de vinho. Melhor assim.

Outro atrativo é a apresentação dos pratos, montados de forma simples, porém organizada.



Para os tradicionalistas, o cardápio oferece opções fixas de pratos feitos, sempre compostos por carne, arroz, feijão comum, salada de tomate, alface e cenoura crua finamente ralada, e salada de batatas ou batatas chips da casa. São dois os preços: R$11 (pernil, linguiça, contrafilé, peito de frango, omelete, feijoada, vegetariano, mexidão e espaguete à bolonhesa ou ao alho e óleo) e R$25 (medalhão, picanha ou bife de chorizo).

Além de ser um dos melhores bares de Belo Horizonte, o Antônio serve um PF muito acima da média, preparado com esmero e com ingredientes de boa qualidade.

O estabelecimento serve chope Brahma a R$4,40 o copo de 300ml, e o preço da cerveja de 600ml varia de R$4,90 (Brahma) a R$6 (Serra Malte e Original).

O cardápio lista também 12 rótulos de cervejas especiais e importadas, além de vinhos da Itália, Argentina, Chile e Portugal.

Premiado diversas vezes pelas revistas Gula, Encontro e Veja, o bar recebeu o famoso apelido devido ao pé de cana que os habitués plantaram em frente ao local.

O Bar do Antônio não aceita cheques, mas trabalha com cartões de crédito e de débito Visa, Mastercard e American Express. Funciona de segunda a sábado, das 11h à 1h, e aos domingos, de 11h as 19h.



BAR DO ANTÔNIO "PÉ DE CANA"
Rua Flórida, 15 - Sion
Belo Horizonte, 
MG
Tel: (31)3221-2099



*Atualmente, o PF com rabada custa R$23. O feijão tropeiro sai a R$19,50 e o galeto a R$28,50. Os pratos servidos na sexta-feira valem R$19 (língua com purê de batatas), R$23 (costelinha com ora-pro-nobis) e R$14,50 (batata recheada). O mineirinho custa R$14. As opções fixas de PFs saem por R$12 (pernil, linguiça, contrafilé, peito de frango, omelete e vegetariano). Os pratos com mexidão e espaguete custam R$14 cada. As opções com medalhão, picanha e bife de chorizo valem R$28 cada uma. 

O chope Brahma de 300 mil sai a R$4,80, e o preço da cerveja de 600ml varia de R$6,50 (Brahma) a R$7,50 (Serra Malte, Original, Bohemia e Brahma Extra). (Preços atualizados neste blog em 18 de setembro de 2013).

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Churrasquinhos diversos" (Açougue Bella Carne - Belo Horizonte, MG)

Esqueça os bares da moda ou os restaurantes descolados da Savassi que juram ser a melhor opção de happy hour no dia nacional da cerveja.

O grande barato da sexta-feira na região é tomar uma cerveja gelada, bater um bom papo com os amigos e comer churrasquinhos num açougue situado na esquina das ruas Paraíba e Cláudio Manoel, no bairro Funcionários.

Pode parecer estranho, mas há nove anos, às sextas-feiras, os funcionários do Açougue Bella Carne armam duas grandes churrasqueiras móveis na calçada e enchem os espaços sobre o carvão com oito opções de churrasquinhos, que são servidos em espetos de madeira.

Às sextas, durante quatro horas, as churrasqueiras funcionam sem parar

Muçarela, medalhão de frango envolto em fatias de bacon, lingüiça, coração de galinha, lombo de porco e três cortes de carne de boi – picanha, miolo de alcatra e contrafilé – dividem a preferência da freguesia, formada principalmente por moradores do bairro e por estudantes do cursinho pré-vestibular que fica a alguns metros do estabelecimento.

Oito opções de espetos dividem a preferência dos fregueses

Farofa e molho de pimenta ficam à disposição e são bons acompanhamentos para as carnes.

Churrasquinhos de picanha e de muçarela

Cada churrasquinho custa R$2,50, mesmo valor da cerveja Skol long neck (355ml), do refrigerante em lata (350ml) e do suco de frutas em garrafa plástica (450ml).

A vantagem neste caso está em saber a procedência das carnes, pois elas são cortadas e temperadas no próprio açougue. Outro fator positivo é que o cliente é chamado a escolher o ponto ideal de sua carne.

A prova do sucesso da curiosa e inteligente iniciativa são as cerca de 500 unidades vendidas às sextas, de 17h:30 as 21h:30, horário em que as churrasqueiras funcionam sem descanso.

Os destaques ficam por conta da apimentada lingüiça e da muçarela, derretida na medida certa.

O açougue Bella Carne é um dos melhores da região. Já seus churrasquinhos são apenas razoáveis. Mesmo assim, vale a pena passar pela animada esquina, beber uma cerveja gelada e comer um espetinho antes da balada ou do descanso merecido após mais uma semana de trabalho.


AÇOUGUE BELLA CARNE
Rua Paraíba, 835 - Esquina com Rua Cláudio Manoel - Funcionários
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3262-0839

*Veja também: Costela de boi na brasa (Rola Papo) - http://bit.ly/e0B6Un