Eleito duas vezes o melhor bar do Brasil pelo jornal The New York Times, e apontado em quatro ocasiões como o melhor do Rio de Janeiro pela prefeitura local, o Bracarense é um orgulho para os cariocas.
Localizado no charmoso bairro Leblon, o bar ficou conhecido por seus deliciosos bolinhos, pela sua empadinha de camarão, pelo chope gelado e por seus frequentadores famosos, como Chico Buarque e o pessoal do Pasquim.
Do minuto em que pisei no Braca até o momento em que paguei a conta, passei por intensas sensações.
A decepção bateu logo na entrada, ao experimentar o outrora sublime bolinho de aipim recheado com camarão e Catupiry (R$3 a unidade), que já não é mais o mesmo.
Hoje só restou uma massa um pouco grossa e pesada.
Ainda assim, é um bolinho acima da média, apesar de ser apenas sombra do que já foi.
O bolinho de bacalhau (R$3 a unidade) continua espetacular, sequinho, no tamanho certo, caprichado no recheio e salpicado por cheiro-verde. Basta uma gota de azeite para se sentir no paraíso. Faz par perfeito com o leve e gelado chope Brahma, a R$4,25 o copo com 300ml.
Sempre cheio, e lotado nos finais de semana, o Bracarense é um boteco de alma carioca, barulhento e caótico, com pessoas espalhadas pelas mesas nas calçadas e pelos banquinhos altos no balcão. Isso sem contar os inúmeros clientes que ficam em pé na rua ou dentro do bar.
E nada de tulipa especial para o chope, que vem em um copo longo e de espessura fina.
Além dos famosos bolinhos, o cardápio oferece a clássica empada de camarão (R$3,20 a unidade), que me fez recordar com emoção as primeiras vezes em que estive em tão sagrado solo.
Com massa podre e recheada com camarões médios em meio a um denso creme e a uma azeitona preta com caroço, a empada, tão copiada Brasil afora, continua imbatível.
Como os salgados ficam na estufa, a dica é pedir para o garçom avisar quando saírem novas fornadas. Assim, os bolinhos e empadinhas poderão ser degustados em seu auge.
Perdi todo o receio de que o Bracarense não fosse o mesmo dos velhos tempos quando coloquei na boca o delicioso e suculento pernil.
Macio, tenro e muito bem temperado, este amado corte do porco é servido tanto em porções como em sanduíches. É um dos petiscos mais vendidos do bar.
Mas a felicidade plena só foi alcançada ao experimentar o curioso bolinho de feijoada (R$3,20 a unidade).
A casquinha crocante e sequinha de fubá tem como recheio uma temperada pasta de feijão preto, bons pedaços de bacon e couve. É uma verdadeira feijoada frita. Uma maravilha!
Quem quiser cerveja não vai encontrá-la no Bracarense, e quem tiver a petulância de não pedir um chope pode relaxar, pois a caipivodca de maracujá do local (R$11,50) sai às centenas durante todo o dia.
O caos organizado, a falta de espaço e as paredes repletas de quadros com diplomas e premiações não deixam de ser um charme à parte deste, que é o mais famoso bar do Rio de Janeiro.
O Bracarense não possui franquias ou filiais, e não aceita cartões de crédito. Cheques e cartões de débito Visa são aceitos. Os 10%, referentes ao serviço de garçom, são cobrados, apesar do cardápio afirmar o contrário.
Funciona de segunda a sexta, das 8h à meia-noite, e aos sábados e feriados, das 9h:30 à meia-noite. Aos domingos atende de 10h as 22h.
No caminho entre a decepção e a emoção estavam algumas horas, boas conversas, empadinhas de camarão e um curioso bolinho. Quanto ao chope, só ele já vale a visita.
Definitivamente, eu poderia morar no Bracarense.
BAR BRACARENSE
Rua José Linhares, 85 B - Leblon
Rio de Janeiro (RJ)
Tel: (21) 2294-3549
*Atualmente, o bolinho de aipim recheado com camarão e Caturpiry custa R$3,80. O de bacalhau sai por R$3,60. O chope Brahma de 300ml vale R$5,85. A empadinha de camarão tem o preço de R$3,90, mesmo preço do bolinho de feijoada. (Preços atualizados neste blog em 29 de outubro de 2013).