sexta-feira, 2 de outubro de 2015

"Medialuna simples" (Medialunas Calentitas - Punta del Este, Uruguai)



O maravilhoso e inebriante aroma é sentido ainda na rua, a centenas de metros do forno onde são assadas. E, como zumbis em busca de corpos humanos, é impossível não se arrastar em busca das medialunas mais perfeitas já experimentadas por este que vos escreve, preparadas e servidas numa espécie de café e padaria especializada neste tipo de pão doce, chamada Medialunas Calentitas. 



Ao entrar na loja de Punta del Este, que fica próxima à famosa e curiosa Ponte Ondulada, e que tem decoração aconchegante, cheia de badulaques e objetos pendurados no teto e na parede, é possível ver uma funcionária lambuzando as medialunas que saem do forno com um líquido secreto, que, com certeza, tem azeite entre seus ingredientes. 

Elas saem do forno o tempo todo, devido à exorbitante quantidade ingerida pelas pessoas que passam por ali.  





Consumidas desenfreadamente na Argentina e no Uruguai, principalmente no café da manhã e no lanche da tarde, as medialunas são muito semelhantes ao croissant francês. 



Campeã de vendas do local, a medialuna simples, sem recheio, é quente, suculenta e doce no ponto certo. Derrete na boca e poderia muito bem se chamar felicidade. 



É moreninha e macia, com massa super leve e saborosa sob uma linda e fina casquinha. 





Cada uma custa 25 pesos uruguaios (R$3,05) e, garanto, é impossível comer menos de cinco. Prova disso é que os pratos saem das mãos das atendentes lotados de medialunas. 



A medialuna recheada de jamon y queso (presunto e queijo) sai por 50 pesos (R$6,10) e é boa, mas infinitamente inferior à simples, sem recheio. Ela fica exposta sobre o balcão, e, após o pedido, vai ao forno para que o queijo dê uma leve derretida. As recheadas não recebem a pincelada final cheia de amor. 



Para acompanhar, o copo de Pepsi sai por 60 pesos uruguaios (R$7,30). 



Sinceramente, não me sinto suficientemente qualificado para explicar em um texto tamanha perfeição. 



A loja da Medialunas Calentitas em La Barra - cidade que, com o passar do tempo, se tornou uma espécie de bairro de Punta del Este - é uma excelente opção de parada para quem volta de José Ignacio em direção ao burburinho de Punta. 



O estabelecimento possui área externa com mesas e banquinhos coloridos e com brinquedos para as crianças, além de um agradável salão interno, que fica a alguns metros do caixa e da vitrine onde várias guloseimas ficam expostas. 







Abre diariamente e, no mês de janeiro, funciona 24 horas por dia. Cartões de crédito e de débito não são aceitos, mas o pagamento pode ser feito em reais. 

A Medialuna Calentitas possui franquias em outras cidades do Uruguai, além de Argentina e Paraguai, mas a matriz é a de Punta del Este. 



Cada medialuna simples da Calentitas é um pedaço do paraíso na Terra. Disso eu tenho absoluta certeza!



MEDIALUNAS CALENTITAS
Na primeira rótula, após a Ponte Ondulada
La Barra - Punta del Este (Uruguai)
Tel: + 598 4277 23 47

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"Milanesa" (Carniceria Manolo - José Ignacio, Uruguai)



Local simpático e agradável, situado em um paraíso, que vende cerveja gelada e que serve uma milanesa esplendorosa. Nem nos meus melhores sonhos imaginei um lugar como a Carniceria Manolo, em José Ignacio, no Uruguai. 

Trata-se de um híbrido de açougue (como indica o nome), padaria e vendinha, que oferece carnes de primeira, picolés, cervejas, baguetes, tortas salgadas, azeitonas, salames e queijos uruguaios, ovos, frutas, verduras e enlatados. 













Mas o grande sucesso da Carniceria Manolo são as espetaculares milanesas, tão amadas por uruguaios e também pelos argentinos que invadem José Ignacio no verão. 

A perfeição em forma de sanduíche é composta por uma baguete produzida na casa, um bife à milanesa bem fininho, alface, tomate, rúcula e maionese. 



Já disse Leonardo da Vinci que a simplicidade é o último grau de sofisticação, e as milanesas do Manolo comprovam o pensamento do mestre. 

A baguete é de alta qualidade, leve e crocante. Alface e tomate são super frescos, e a rúcula, usada na proporção correta, acrescenta sabor ao sanduíche. 



Já a milanesa é um caso à parte, e sou capaz de apostar que grandes chefs de cozinha cheios de fama não são capazes de preparar algo tão divino com um fino pedaço de carne bovina.





Ela é sequinha, muito crocante e mais larga que o pão. O sabor não é maquiado por temperos fortes, e a casquinha do bife é bem clarinha, leve e linda de se ver. Como eles empanam a carne é um segredo guardado a sete-chaves pelo animado Gastón Aispuru, filho de José Luis Aispuru, o Manolo. 







Mas Gastón deixa escapar os cortes de carne usados para fazer a milanesa: nalga (coxão mole, ou chã de dentro, dependendo da região do Brasil) e bola de lomo (patinho). "E muito amor", completa, em momento de empolgação. 









Para finalizar, a maionese recebe a companhia de um pouco de sal e de azeite produzido na região (à venda no local), o que deixa o sanduíche mais vivo e ainda mais incrível. 



As milanesas são preparadas sobre o balcão onde ficam as carnes, e custam 180 pesos uruguaios (R$22) cada uma. 



O acompanhamento perfeito para esta maravilha é a super gelada e boa cerveja Zillertal, envasada em garrafa de um litro e que sai por 140 pesos (R$17). Quem preferir a marca Pilsen vai pagar 120 pesos uruguaios (R$14,60). 





A Carniceria Manolo tem atendimento amigável e aceita cartões de crédito e de débito, além de real. Funciona de segunda a sábado, de 9 da manhã as 11 da noite. 



O mercadinho familiar é ponto de encontro de famosos atores, músicos e jogadores de futebol uruguaios e argentinos, que, no verão, vão atrás das deliciosas milanesas preparadas no local. Nesta época do ano são vendidas cerca de 500 unidades por dia!



A vontade que dá é de passar a tarde inteira curtindo em completa paz nos banquinhos externos do Manolo, onde o único som que se ouve é o do bate-papo dos alegres e simpáticos atendentes. Levantar, só para pegar a cerveja na geladeira, para ir ao banheiro ou para buscar mais milanesas. Tudo isso a 200 metros do mar. 





Mas, infelizmente, ou felizmente, não dá para passar o dia inteiro na Carniceria Manolo, já que a paradisíaca José Ignacio nos espera para uma tarde inesquecível, com direito a caminhada pela praia e a uma visita ao farol, de onde se vê toda a pacata cidade que um dia me receberá como morador, se Deus quiser. 













CARNICERIA MANOLO
Calle Las Golondrinas y Calle de los Cisnes 
José Ignacio (Uruguai)
Tel: + 598 4486-2089

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

"Chivito completo" (Rex - Punta del Este, Uruguai)



Juntamente com o churrasco, o chivito é o prato nacional uruguaio. O sanduíche de carne é considerado patrimônio nacional e é encontrado em qualquer bar ou restaurante país afora. 

Ele foi criado por Antonio Carbonaro, no restaurante El Mejillón, em Punta del Este, numa madrugada de inverno, em meados de julho de 1946.

A receita original tinha como ingredientes o pão roseta, típico do balneário, quente e amanteigado, uma fatia de presunto e um bife de filé mignon. 

Hoje, um chivito é preparado, basicamente, com pão, bife, presunto, muçarela, ovo, bacon, alface, tomate e maionese. Muitas vezes, a estes itens são adicionados ingredientes como cogumelo, cebola, pimentão vermelho e picles variados. Quase sempre o sanduíche é escoltado por batatas fritas. Existe também a versão "ao plato", sem o pão. 

O restaurante El Mejillón não existe mais - foi vendido por Carbonaro em 1961 e encerrou suas atividades dez anos depois -, e, em Punta del Este, a lanchonete Rex é conhecida por servir o melhor chivito da cidade atualmente. 

Inaugurada em 1996, a Rex tem jeitão de lanchonete estadunidense e, por isso, se auto intitula um diner



Mas o forte do local são as comidas rápidas uruguaias, com destaque para os panchos e para os chivitos. 

Espécie de cachorro-quente uruguaio, o pancho é imenso e preparado com pão tostado e salsicha. Custa 70 pesos uruguaios (R$8,50). 

A versão com queijo e bacon é ótima, e sai por 110 pesos (R$13,40). 



A muçarela derretida com o bacon frito na chapa formam uma grande dupla. Porém, a qualidade da salsicha servida na casa é inferior à da La Pasiva



A dica é dividir o pancho com alguém e, logo após, pedir um chivito, símbolo gastronômico do local e servido em três versões. 

O chivito rex tranqui é preparado com filé mignon, queijo, tomate e alface, e custa 280 pesos uruguaios (R$34). Na versão completa, a 320 pesos (R$39), são adicionados presunto, bacon, ovo e batatas fritas. Existe também o com frango, cuja receita é a mesma do rex tranqui, apenas com a mudança da carne. O valor deste último é 260 pesos uruguaios (R$31,70). 

Como todo chivito que se preze deve ser grande e farto, o completo é a pedida certa. É um bom sanduíche que satisfaz o estômago. Mas poderia ser ainda maior!

Ele é servido com a bandeira uruguaia sobre o pão. 



O filé é bem fininho, maior que o pão e com pouco sal, como é habitual no Uruguai. A fatia de presunto também é cortada finamente, e o tomate e a alface são frescos. O ovo é frito, o que é pouco usual, já que a maioria dos chivitos leva ovo cozido picado. 






As boas batatas fritas e o saboroso ketchup caseiro, com um toque de pimenta-do-reino, acompanham o sanduíche. 



No entanto, o melhor chivito que já experimentei foi o monstruoso servido na Chiviteria Marcos, em Montevidéu. Este sim, dos deuses. 

Para acompanhar, boa opção é a cerveja Patricia. A garrafa de um litro sai por 150 pesos uruguaios (R$18) e poderia ser mais gelada. A long neck vale 80 pesos (R$9,75). 



A lanchonete Rex possui mesas na calçada, no salão interno, onde há também um extenso balcão com cadeiras altas, e na varanda, de onde é possível avistar uma pequena parte do mar. 







O estabelecimento tem ambiente moderninho para os padrões uruguaios, com música ambiente, e só aceita dinheiro como forma de pagamento. 



Funciona durante 24 horas no verão, e os horários de atendimento durante a baixa temporada devem ser consultados com antecedência, já que a casa não funciona durante alguns meses do ano. 

Como bem definiu o famoso chef e apresentador estadunidense, Anthony Bourdain, em 2008, em seu programa Sem Reservas, "o chivito é o rei dos sanduíches de carne". É provar e se apaixonar. 



REX
Ruta 10, Km 161
Punta del Este (Uruguai)
Tel: + 598 4277 1504