terça-feira, 9 de novembro de 2010

"Chope Brahma + Canapés" (Bar Leo - São Paulo, SP)

"O Bar do Léo está localizado na Cracolândia, na região central de São Paulo, e serve o melhor chope do Brasil, com uma espuma tão espessa, que se você colocar um palito de madeira dentro do copo, ele ficará em pé durante um bom tempo".

Foi assim que soube da existência desta Meca da cerveja não pasteurizada, durante uma conversa com um chef de cozinha brasileiro que trabalha na Nova Zelândia. Eu acabara de conhecê-lo numa madrugada regada a cerveja e bom papo na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em junho de 2009.

Desde aquele instante, o Bar do Léo entrou na minha lista de lugares a se conhecer antes de deixar esta vida.

Passado pouco mais de um ano, estava eu caminhando pela Cracolândia, numa tarde de segunda-feira, em busca do bar, até encontrá-lo na esquina das ruas Aurora e Andradas.

A bebida é tirada com maestria por um funcionário que se dedica exclusivamente a isso, ao contrário de alguns locais em que a pessoa que estiver mais perto da chopeira é que faz o serviço. Fernando é o responsável por tirar o melhor chope do país, e foi por este talento que recebeu um diploma da Brahma que o aponta como "o rei do colarinho".


O chope Brahma é gelado na medida certa, pois chega à mesa na temperatura de 0°C. Ou seja, refresca mas não chega a anestesiar as papilas gustativas, como alguns chopes extremamente gelados que vemos por aí. Simplesmente o melhor chope que tive a oportunidade de experimentar até hoje.

São três dedos de uma densa e cremosa camada de espuma. É o colarinho dos deuses. Já o líquido é leve, gelado e tão saboroso que eu poderia passar as 12 horas seguintes sentado naquela mesma mesa tomando chope.


Todos os garçons são antigos na casa, e o atendimento foi tão solícito e gentil, que em pouco tempo João Dantas e Arani José pareciam amigos de longa data.

Brincalhão e bem-humorado, João (à esquerda do blogueiro na foto abaixo) explicou que o nome real do estabelecimento é Bar Leo, sem acento mesmo, e que em agosto último o local completou 70 anos de existência.


Sentado em uma das várias mesas da parte interna (mesinhas altas ocupam a calçada), deu para perceber que a decoração é feita por garrafas das mais variadas bebidas e por incontáveis canecas de chope, além de diplomas e matérias de jornais e revistas que exaltam o chope servido no Bar Leo, entre elas uma reportagem da revista Playboy, feita pelo jornalista David Zing, que o elegeu como um dos seis melhores bares do mundo. Honraria que nenhuma outra casa das Américas recebeu.


Até os azulejos são estilizados, com o leãozinho bebedor, símbolo do Bar Leo.


O bar oferece opções da culinária alemã, como os famosos canapés no pão preto, em quatro sabores: rosbife caseiro, linguiça defumada moída, carne crua e o de gorgonzola com salame copa. Os ingredientes ficam à vista dos clientes, e os canapés são preparado no balcão, logo após o pedido.


Existe a opção de pedir dois sabores de canapés. Sendo assim, os dois primeiros foram escolhidos para ilustrar o blog, já que são os campeões de venda.

Duas fatias de pão de forma preto se transformam rapidamente em 12 saborosos canapés, que são temperados na hora com pimenta-do-reino moída, maionese, molho inglês, vinagre balsâmico, mostarda amarela e salsinha. O toque final fica por conta de algumas grandes, macias e carnudas azeitonas pretas em conserva e com pedacinhos de cebola.


Sobre os pequenos pedaços de pão, o finíssimo e tenro rosbife e a densa porção da marcante linguiça moída defumada harmonizam com perfeição com o chope. É merecido o sucesso desta parceria. Um petisco para se comer em uma bocada e com as mãos, e que respeita o chope, a grande estrela da companhia. A porção de canapés custa R$21.


O cardápio oferece quatro tipos de sanduíches, como o tradicional polaco (rosbife caseiro, queijo prato e cebola), a R$14,50, e porções, entre elas de bolinho de bacalhau e de azeitonas pretas temperadas.

Também figuram na lista opões fixas de almoço, de segunda a sexta, com preços que variam de R$21 a R$30.

No local são aceitos cartões de crédito e de débito, mas cheques são recusados.

Funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h30, e aos sábados, de 11h as 16h, pois à noite a região se torna uma espécie de Serra Pelada repleta de moradores de rua viciados em crack.

Ah, e não se assustem com a supervisão de Abraão, o maior bebedor de chope da história do bar, representado e homenageado por uma imagem em madeira no canto do salão. Reza a lenda que ele gastou tanto dinheiro no Leo, que depois de alguns anos ganhou o direito de nunca mais pagar a conta no local.


Depois de uma experiência como esta, tomo a liberdade de levantar um brinde ao glorioso chope do Leo. Saúde!



BAR LEO
Rua Aurora, 100 - Santa Efigênia - Centro
São Paulo, SP
Tel: (11) 3221-0247
Estação de metrô: Luz
www.barleo.com.br

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Lanche de mortadela" (Bar do Mané; Mercado Municipal Paulistano - São Paulo, SP)

Explosão de sabor! Este é o termo mais apropriado para definir o famoso sanduíche de mortadela servido no Bar do Mané, no Mercado Municipal Paulistano.

Aberto juntamente com o mercado, em 1933, o local oferece diversos tipos de sanduíches, entre eles os famosos lanches com mortadela, como dizem os paulistas.

São cinco opções: simples (R$9), quente (R$10), quente com queijo (R$11), com salada (R$11) e com salada e queijo (R$12). O acréscimo de tomate seco custa R$1.

Imagine um pão francês fresquinho que acaba de receber, diretamente da chapa, finas e incontáveis fatias de mortadela dobradas ao meio, acompanhadas de queijo muçarela. É algo espetacular.

Chapa repleta de mortadela

Para início de conversa, a mortadela servida no local é Ceratti, marca que se dedica à fabricação de frios e embutidos de primeira linha. A quantidade é tirada “a olho”, ou seja, a mortadela não é pesada. Por isso o recheio de cada sanduíche gira em torno de 300 a 350 gramas.

O sanduíche chega ao balcão em poucos minutos, e a muçarela derretida tem uma casquinha crocante que desperta o pecado da gula, e que contrasta com a maciez e o toque de pimenta-do-reino presente na mortadela.

Lanche quente de mortadela com queijo e salada

Alface e tomate não acrescentam sabor ao preparo. Os sabores do queijo e da mortadela predominam e fazem da salada um acompanhamento desnecessário.

O sucesso do Bar do Mané, hoje administrado pela terceira geração da família Loureiro, está diretamente ligado à popularidade dos sanduíches de mortadela, que têm na abundância de recheio o seu grande charme há mais de 30 anos.

Com o balcão sempre lotado, o estabelecimento ocupa a esquina mais disputada do Mercado Municipal, carinhosamente chamado de mercadão pelos paulistanos.

A movimentada esquina onde fica o Bar do Mané, no mercadão

Para acompanhar, vale fazer o "sacrifício" de pedir um chope Brahma leve e cremoso, muito bem tirado pelos funcionários, a R$4,50 cada.

Sanduíche de mortadela e chope: combinação perfeita

No cardápio constam 29 tipos de sanduíches, além dos que contêm mortadela. Destaque para o de lingüiça calabresa (R$9) e para o a moda da casa, preparado com tender, queijo, salame copa, peru, tomate e alface (R$15).

Para beliscar, há opções de salgados, que ficam na estufa à vista dos clientes. Os croquetes de bacalhau (R$4,50) e de carne (R$2,50) fazem sucesso. Cartões Mastercard e Visa são aceitos.


Os salgados ficam na estufa, à vista dos clientes

O Mercado Municipal é um dos mais imponentes cartões-postais de São Paulo e apresenta uma diversidade de cores, aromas e sabores que faz de uma visita ao local um momento para se guardar na memória.



Diversidade de produtos oferecidos em empórios e bancas de frutas

Clientes e visitantes não são cobrados para usar o banheiro, ao contrário do acontece no Mercado Central de Belo Horizonte. Ponto para o mercadão paulistano.

E um dos símbolos deste mercado é o Bar do Mané, justamente por servir o lanche de mortadela original, já que vários bares e lanchonetes do local também oferecem este clássico.

Comer um sanduíche de mortadela no Bar do Mané faz com que saibamos empiricamente o que é fartura, e realmente emociona. É uma experiência inesquecível.


Fachada do Mercado Municipal Paulistano



BAR DO MANÉ
Mercado Municipal Paulistano

Rua da Cantareira, 306 - Parque Dom Pedro II
Rua E, box 14
São Paulo, SP
Tel: (11) 3228-2141
Estação de metrô: São Bento

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Lasanha das putas" (É Massa "Marcelão" - Belo Horizonte, MG)

O aroma do queijo gratinado abre o apetite. Ele é crocante e chega sobre camadas de uma massa macia, um molho de tomates encorpado e uma boa porção de frango desfiado e bem temperado. Assim é a lasanha de frango com Catupiry servida no “É Massa”.



Trata-se de uma Fiorino branca que oferece suculentos pratos nas madrugadas, na altura da Avenida Afonso Pena 3355, no bairro Serra, região nobre de Belo Horizonte.



Batizado inicialmente de “Zona da Massa”, o negócio sempre foi conhecido como “Lasanha das Putas” ou “Lasanha do Marcelão”, como conta o proprietário Marcelo Guerra, que há 13 anos parou naquele local para vender suas massas de fabricação própria.

Este blogueiro deu sorte mais uma vez, pois são raras as aparições de Marcelo Guerra por ali.

Ele deixa por conta de seus funcionários as tarefas de abrir e fechar a Fiorino, que possui gavetas onde as massas são acondicionadas e um forno a gás produzido pelo próprio Marcelão, que no momento se dedica ao seu novo negócio, a Pastelaria Sion, que abriu na Rua Grão Mogol 450.



O “É Massa” funciona de segunda a sábado, a partir das 23 horas, e domingo, a partir das 19 horas. Daí em diante, carros começam a parar ao lado da cantina sobre rodas para que os passageiros possam fazer os pedidos, e pessoas começam a ocupar as mesas de madeira e as cadeiras de plástico dispostas na calçada.

Os maiores sucessos do local são as lasanhas de presunto à bolonhesa e de frango com Catupiry, a mais vendida. Ambas custam R$7,50 e chegam em marmitex de alumínio, que só vão para o forno após o pedido do cliente. São 450 gramas que valem o preço pago.

A lasanha de frango realmente é superior, mostrando que a sabedoria popular deve ser respeitada quando o assunto é baixa gastronomia. O Catupiry é usado com parcimônia e é bem misturado ao molho, o que ajuda a engrossá-lo.



No cardápio também constam seis sabores de mini-pizzas, a R$3 cada, e espaguete à bolonhesa, a R$6.

O espaguete à bolonhesa merece destaque, pois é servido de uma maneira não convencional. Ele chega em dois recipientes. Um deles, em formato retangular, vai ao forno apenas com o espaguete sob uma camada de queijo muçarela ralado. O perfumado molho chega à parte.

Entre um animado assunto e outro, Marcelão deu uma aula de música e de língua portuguesa, suas grandes paixões.

O som portátil sobre o carro tocava músicas de várias bandas de indie rock desconhecidas do grande público.

Quando o aparelho foi parar em nossa mesa, ele dançou e cantou ao som da banda croata Gustafi, que mistura tendências regionais com metais e elementos do ska.

Em relação ao português, ele mostra o cardápio. “Está vendo, muçarela se escreve com “ç”, apesar de quase todo mundo escrever mussarela”. Ok, Marcelão, essa eu já sabia, mas de qualquer forma é você quem manda.



E se você, raro leitor, leu esta matéria até o final só para descobrir o motivo do curioso apelido “lasanha das putas”, eu explico.

Aquela região da Avenida Afonso Pena é conhecida por seus vários pontos de prostituição.

Mulheres e travestis ficam ali em busca de clientes, e, naturalmente, se tornaram clientes assíduos do “É Massa”, onde podem comer algo e tomar uma cerveja (Skol ou Brahma, a R$2,50) ou um refrigerante (R$2,50) em lata, durante ou após o expediente.

O local também é muito freqüentado por jovens na volta da balada, e por pessoas que trabalham na parte da noite. Muitas, inclusive, pegam as massas para comer em casa.

Se você é de BH, se gosta da vida boêmia e se convive bem com a diversidade, não deixe de passar no Marcelão durante a madrugada. Vale a pena!


É MASSA (LASANHA DAS PUTAS)
Avenida Afonso Pena, na altura do número 3355 - Serra
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 9146-6888

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Pastel de camarão" (Batista Bar - Barbacena, MG)

Este blogueiro abre a matéria pedindo desculpas ao raro leitor por ser um fotógrafo medíocre. Pois creio que as fotos abaixo não conseguirão mostrar o quanto o pastel de camarão do Batista Bar é fabuloso e suculento, se equiparando, inclusive, ao pastel do famoso Belmonte, no Rio de Janeiro.

Localizado em Barbacena e especializado em frutos do mar, o local é simples, e oferece cardápio com 20 opções de refeições e 23 de petiscos. Entre as atrações estão camarão empanado com molho tártaro (R$32 – R$21, a porção reduzida) e camarão ao alho e óleo (R$26 – R$17, a porção reduzida).

Mas é o pastel de camarão o grande sucesso da casa. De tamanho médio e com massa crocante, que lembra aqueles pastéis caseiros preparados pelas avós de muitos de nós, o recheio é composto por fartos camarões médios e carnudos, e por um creme feito pelo próprio crustáceo, cheiro verde e tomates. A unidade custa R$2,50 e vai muito bem acompanhada de um dos cinco rótulos de cerveja 600ml (entre R$2,80 e R$3,80).



Pastel de camarão

Para os que não se deixam seduzir pelo camarão, o pastel de queijo com fundo repleto de palmito sai a R$2,50 e promete agradar. A combinação dos dois ingredientes é capaz de mostrar a muitos que o mundo pode ser um lugar mais alegre e prazeroso.

Pastel de queijo com palmito

Pastéis de bacalhau (R$2,50) e de queijo (R$1,80) completam o grupo.

O sucesso do Batista, como é conhecido na cidade, é tão grande que o bar vai se mudar para a esquina de baixo, em amplo e confortável imóvel.

Funciona de terça a domingo até 1 hora da madrugada. Mas fiquem atentos, pois a cozinha só aceita pedidos até meia-noite.



BATISTA BAR (FRUTOS DO MAR)
Rua Saldanha Marinho, 26.
Barbacena, MG
Tel: (32) 3331-9433


* Veja também: Pastéis diversos (Rei do Pastel) - http://is.gd/eQa79

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"Fígado acebolado com jiló" (Bar do Pelé - Belo Horizonte, MG)

Bife de fígado acebolado com jiló no Mercado Central: eis um clássico!

Ir ao mercado e não se dar ao prazer desta experiência é mais ou menos como ir a Roma e não ver o papa, como diriam os mais tradicionais.

Todos os botecos do local preparam com muito esmero o fígado com jiló, mas o Bar do Pelé é o local que indico para quem quer desfrutar de um momento prazeroso.



Aberto em 2006, o Bar do Pelé fica na área dedicada às lojas de artesanato, e possui algumas mesas com bancos altos, além de um balcão de canto, posicionado na parede onde está afixado o cardápio da casa.


O clima é o mais descontraído possível, com brincadeiras entre os funcionários e diálogos do tipo: “Pode ficar com ela pra você, se quiseres faço até um lacinho de presente”, em referência à cozinheira do local.

Mas o mercado é isso: gente comum querendo ser feliz, comendo e bebendo bem. Que lugar maravilhoso!
Na estufa, esperando ser transformado em fartas porções, está o campeão de vendas e aclamado bife de fígado (R$13), além de pernil (R$13), lingüiça (R$13), peito de frango (R$13), chouriço (R$13) e contrafilé (R$15).
Enquanto o proprietário Pelé curtia sua folga passeando pelo mercado, o carrancudo, porém mais tarde simpático e atencioso, Luiz Cláudio Ferreira preparava com maestria a porção de fígado.

Temperado inicialmente com alho e sal, o fígado sai da estufa diretamente para a chapa quente e recebe um tempero de ervas finas e tomate seco desidratado.



Este tempero é o segredo do Bar do Pelé, o que diferencia seu miúdo bovino dos outros oferecidos no Mercado Central. Cebola e jiló são fatiados finamente e chegam à chapa no final do preparo.



Outros diferenciais do Bar do Pelé são os chopes Kaiser e Xingu, a R$3, e a cerveja Heineken 600ml, a R$4,50. Constam também no cardápio as tradicionais Brahma (R$4), Skol (R$4), Bavaria Premium (R$3,50), Kaiser (R$3,50) e Bavaria (R$3).

O Bar oferece opções diárias de almoço a R$10, com destaque para o feijão tropeiro nas quartas-feiras, para a rabada com batata às quintas e para a feijoada nas sextas. Existe também a opção fixa, com arroz, feijão, salada, macarrão ou batata frita, que varia de R$8 a R$9, de acordo com a opção de carne.

Funciona de segunda a sábado, das 9 às 18 horas, e domingo, de 9 as 13 horas. Vale ressaltar que há tolerância de uma hora, em relação a estes horários do mercado, para quem já estiver no bar.

Com 81 anos de história, o Mercado Central continua sendo a cara e o ponto de encontro dos belo-horizontinos. O único destaque negativo continua sendo a obrigatoriedade do pagamento para se usar o banheiro (R$0,50), mesmo para quem está consumindo nos bares do local. O problema não é o valor cobrado, mas o abuso que desrespeita quem mantém o mercado vivo até hoje, ou seja, os seus consumidores.




BAR DO PELÉ
Av. Augusto de Lima, 744 - Centro
Corredor K 21
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 9601-0263



NOTAS E ATUALIZAÇÕES DO EDITOR EM 23 DE NOVEMBRO DE 2015

*O Bar do Pelé encerrou suas atividades. 

terça-feira, 13 de julho de 2010

"Tropeirão do Mineirão" (Bar 24 - Belo Horizonte, MG)

Desde o dia em que fiquei sabendo que o futuro do famoso feijão tropeiro vendido dentro do Mineirão está ameaçado, não pensava em outra coisa a não ser fazer um post sobre a mais famosa iguaria vendida em um estádio de futebol no Brasil.

Li no blog Belo Horizonte no Mundial que, com a reforma do Mineirão para a Copa do Mundo de 2014, ninguém sabe se o prato continuará a ser servido, pois os bares da forma como existem hoje vão acabar, e muitas redes de alimentação rápida ocuparão estes espaços.

Portanto, cometeria uma grande gafe se não dedicasse um espaço neste blog ao “tropeirão do Mineirão”, como é popularmente conhecido.

O jogo escolhido foi a decisão do Campeonato Mineiro deste ano, entre Atlético e Ipatinga.

Como a procura por ingressos foi muito grande, só consegui comprar entrada para o portão 6, que dá acesso aos espaços onde costuma ficar a torcida do Cruzeiro.

O estádio é separado por setores desde 2004, e por isso fiquei impossibilitado de me esbaldar no aclamado tropeiro do Bar 13.

Pois bem, quando entrei no estádio, faltando cerca de uma hora e meia para o início da partida, subi as escadas e saí em frente ao Bar 24.

Apesar de não conhecê-lo - pois a primeira opção de todo atleticano é ficar no lado oposto, com entradas pelos portões 9 e 12 –, não poderia abrir mão de um hábito que mantenho desde 1992: comer um belo prato de feijão tropeiro antes de ver o Galo.

Como não havia almoçado ainda, não pensei duas vezes e me dirigi ao bar à procura de felicidade.



O feijão tropeiro do Mineirão é um verdadeiro PF. Custa R$7 e chega em prato de plástico, acompanhado de arroz, couve, torresmo, ovo frito e bife de lombo coberto por um espesso e saboroso molho de tomates.

O molho é preparado no próprio bar com pedacinhos de tomates, e tem a função de dar mais suculência ao prato, não deixando que a comida fique muito seca e de difícil digestão.

É comum que ele acabe em determinada parte do jogo. Por isso, a dica é sempre almoçar ou jantar antes da partida, quando os ingredientes estão no auge de seu frescor.

Acreditem se quiser, mas o bife de lombo é um dos mais macios e bem temperados de que se tem notícia na baixa gastronomia da capital mineira. E a couve é servida como salada, quer dizer, é crua e bem temperada.




Para comer esta iguaria, você tem que estar no clima e familiarizado com o ambiente festivo. Ou seja, deve abstrair o fato da colher ser de plástico e de não haver faca.

Por isso, o que se vê muitas vezes são as mãos e os dentes fazendo as funções de garfo e faca para cortar o bife.

É algo que ninguém faria em casa e muito menos em público, mas há no estádio uma licença silenciosa para se cometer uma falta de educação como esta.

Mas vale a pena experimentar, pois o tropeiro é muito saboroso e preparado pelas hábeis mãos de cozinheiras experientes.

A junção de todos estes fatores faz com que o Mineirão se torne o melhor lugar de Belo Horizonte para se apreciar esta especialidade típica de Minas Gerais.

Para acompanhar, a sugestão é refrigerante (R$3 o copo com 300ml), já que está proibida a venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio e em seus arredores.

Há mais de 40 anos, o “tropeirão do Mineirão” é sagrado para muitos torcedores, faça chuva ou sol, faça frio ou calor.



Vale destacar que os melhores tropeiros são encontrados dentro do estádio, e não nas barraquinhas que ficam no entorno do local, onde muitas vezes as comidas não são bem acondicionadas.

Minha torcida agora é para que não acabem com a venda do feijão tropeiro, do sanduíche de pernil e da porção de torresmo após a reforma do Mineirão. Seria uma afronta aos costumes e à tradição mineira termos que nos contentar em engolir rações produzidas pelas grandes cadeias de fast food.



Ah, e se alguém ficou curioso para saber o resultado do jogo, o Atlético venceu por 2 a 0 e foi campeão mineiro pela quadragésima vez em sua história.




ESTÁDIO GOVERNADOR MAGALHÃES PINTO (MINEIRÃO)
Av. Antônio Abrahão Caram, 1001 - Pampulha
Belo Horizonte, MG

domingo, 13 de junho de 2010

"Fiori com molho à bolonhesa e calabresa" (Rolando Massinha - São Paulo, SP)

Mais uma vez o Rocknova trouxe sorte a este blogueiro, e vou explicar ao raro leitor o motivo desta afirmação.

Chegamos a São Paulo para nos apresentarmos no Golfest, evento promovido pela Volkswagen em comemoração aos 30 anos do carro Gol, que aconteceu no Sambódromo do Anhembi, e que também teve Titãs e Arnaldo Antunes como atrações.

Na noite anterior ao show, saí da casa de nossos amigos catarinenses da banda Aerocirco em busca de uma padaria em que pudesse lanchar antes de dormir, mas sem esperanças de encontrar algum lugar que se encaixasse nos critérios do blog.

Pois bem, ao descer a Rua Caiubí, onde está localizada a Aerocasa, no bairro Perdizes, sob uma fina garoa paulistana, não andei mais do que 100 metros até me deparar com uma Kombi branca ano 1996, adaptada para ser uma cozinha, com fogão industrial, pia de mármore e azulejos, onde as especialidades são as massas frescas. Ou seja, estava diante de uma autêntica cantina italiana sobre rodas.

Não tive outra reação a não ser chegar mais perto e puxar papo com o simpático, brincalhão e vendedor nato Rolando Vanucci, que com o tempo se tornou o Rolando Massinha, mesmo nome de seu carrinho.

Rolando Massinha posa ao lado de sua "cantina sobre rodas"

Há três anos, de segunda a domingo, inclusive nos feriados, a partir das 19 horas, Rolando estaciona sua perua na esquina da Rua Caiubí com a Avenida Sumaré, coloca seu avental de chef, distribui mesas e cadeiras de plástico embaixo do toldo de uma loja de lingeries, e prepara diariamente cerca de 40 pratos de 250 gramas cada, compostos por uma massa, um tipo de molho e duas fatias do pão italiano preparado na tradicional padaria São Domingos, localizada no bairro do Bexiga e que em 2013 completa cem anos de existência.

São 11 opções de massas caseiras pré-cozidas, que são aquecidas em água fervente no momento em que o cliente faz o pedido. Entre elas estão o nhoque de mandioquinha, o fettuccine de espinafre, o capeletti de carne, o ravióli de frango e requeijão e, é claro, o espaguete, com preços que variam de R$10 a R$15. Os molhos estão disponíveis em três sabores: ao sugo, bolonhesa com calabresa e quatro queijos.

Cardápio ilustrado auxilia o cliente a escolher sua massa

É Rolando Massinha quem escolhe o meu prato, o fiori recheado com muçarela e orégano e coberto com molho à bolonhesa com calabresa (R$13). O fiori é uma espécie de ravióli em formato de meia-lua, e o molho que o acompanha é intenso, presente, de muita personalidade, sendo picante na medida certa. O segredo está na combinação dos ingredientes e dos temperos. Noz moscada, pimenta calabresa, alho, pimentão vermelho e azeitonas verdes se misturam harmoniosamente com o molho de tomate Pomarola (sim, é molho enlatado, mas não parece), com a carne bem moída e com a lingüiça calabresa, que tem o seu diferencial no fato de ser curtida em vinho tinto. Este molho é o grande hit do local. Rolando, inclusive, o preparou no programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga.

Fiori recheado com muçarela e orégano. Coberto por molho à bolonhesa com calabresa

O molho ao sugo é preparado da mesma maneira, porém sem o uso de carne bovina moída e de lingüiça calabresa.

Sobre as mesas ficam queijo parmesão ralado de boa qualidade e o honesto e tradicionalíssimo azeite Gallo. Ou seja, o necessário para acompanhar a massa.

Com clientela familiar, a limpeza do local impressiona, e a qualidade das refeições não deixa nada a desejar a bons restaurantes e cantinas, com a vantagem do preço e do atendimento de Rolando, que em poucos minutos já trata os clientes como velhos amigos. Em breve, ele pretende oferecer um serviço de entrega em domicílio.

O pernambucano Rolando Vanucci foi para São Paulo ainda criança e morou durante cinco anos em Belo Horizonte, onde passou dificuldades e chegou a dormir na rua, mas onde também aprendeu a preparar o seu famoso molho à bolonhesa com calabresa.

Hoje ele vive com mais estabilidade, e graças à qualidade de suas massas é figurinha carimbada em programas de televisão e em matérias de jornais e revistas importantes.

A informalidade é o grande barato do local, e se você estiver passando pela esquina da Rua Caiubí com a Avenida Sumaré, com certeza irá avistar uma Kombi. Passe por lá e tente responder à pergunta que Rolando Massinha fará a você: "E aí, já experimentou um molho melhor que este?".

ROLANDO MASSINHA
Esquina de Avenida Sumaré com Rua Caiubí - Perdizes
São Paulo, SP