sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"Caldo de mocotó" (Nonô, O Rei do Caldo de Mocotó - Belo Horizonte, MG)



Um bar que funciona 24 horas por dia, há mais de 50 anos, e que tem um livro publicado que conta a sua história deve ser tratado como um patrimônio cultural da cidade, ou seja, como um verdadeiro clássico. 

O local em questão é o Nonô, O Rei do Caldo de Mocotó. 



Passar uma noite ou uma madrugada no recinto é dever de todo boêmio belo-horizontino que se preze. 

Aberto em 1964, o bar funciona em duas lojas interligadas por um corredor, com entradas pela Rua dos Tupis, onde tudo começou, e pela Avenida Amazonas, na região central da capital mineira.



Não há mesas nem cadeiras. Por isso, pessoas de todos os tipos e classes sociais se posicionam no longo balcão para tomar uma cerveja gelada acompanhada por uma caneca de caldo de mocotó.



As cervejas envasadas em garrafas de 600ml custam R$7 cada. Skol, Brahma e Antarctica estão disponíveis e há também latinhas de 350ml, por R$3,50 a unidade. 



Mas a queridinha no local é a cerveja escura em lata Caracu (R$4 cada). 

O clientes mais antigos juram de pés juntos que a união do caldo de mocotó com a cerveja em questão aumenta a libido de quem aposta nesta dobradinha de imenso sucesso. 

Por isso mesmo, o Nonô se tornou um dos maiores vendedores de Caracu do país, com direito a condecoração da empresa que a produz. 



Quem quiser algo ainda mais forte e afrodisíaco pode apostar no caracálcio (R$12), tradicional bebida da casa cuja receita leva uma latinha de Caracu, seis ovos de codorna, crus e com casca, uma dose de catuaba, uma paçoca de amendoim, duas colheres de Toddy e uma pitada de canela.



Os ingredientes são batidos no liquidificador por cerca de um minuto e se transformam em uma bebida espessa de cor marrom. 

Reza a lenda que ela levanta até defunto. 





Entre uma cerveja e outra, a resenha corre solta com os simpáticos e solícitos atendentes.



Um deles é Gabriel Corrêa, o Bié, neto do fundador do bar, Raimundo de Assis Corrêa, o Nonô, que faleceu em 1973.

Bié (na foto acima, o do meio) conta que, em média, são utilizados 900 pés de bois - o principal ingrediente do caldo de mocotó - por semana. 

"Eles são limpos, serrados e fritos no bairro Caiçara, onde temos uma cozinha especialmente para isso na casa da minha avó. Os pés são cozidos aqui no bar, no andar superior, e finalizamos colocando-os no panelão cheio de caldo quente", conta. 



A avó em questão é dona Alaydes Conceição Corrêa, viúva de Nonô e hoje com 91 anos de idade. 

O fogareiro está sempre aceso, afinal de contas são servidas diariamente cerca de mil porções de caldo.



A versão com dois ovos de codorna é a mais vendida e sai por R$7,70. A simples custa R$7,20.

Cada ovinho extra vale R$0,25, e quem quiser um pão francês para acompanhar vai pagar mais R$0,80.

Na versão completa, o preparo começa com dois ovos de codorna quebrados e colocados ainda crus no fundo da caneca de porcelana. 



Peça para caprichar no "barranco", que é como os pezinhos foram apelidados no bar. Após serem retirados da panela, eles são picados e colocados sobre as duas gemas cruas. 



Depois disso, a concha, manuseada pelo atendente, invade novamente o panelão de alumínio em busca da estrela da companhia, o famoso caldo de mocotó.





Por cima de tudo, a cebolinha verde, muito bem picada, dá certa crocância e frescor à iguaria.





O caldo borbulhante esquenta o peito. É consistente, mas não é grosso demais. O sabor é forte, mas agradável. 





Quanto ao tempero, é na medida certa, pois não mascara o sabor dos pedaços de pata bovina. 



Ao mastigar os ossos, já bem moles e gelatinosos, é possível sentir o colágeno que gruda e enche de sabor o interior da boca. 



O famoso caldo de mocotó do Nonô tem personalidade forte, e o sabor vem, primordialmente, do "barranco". 



Quanto aos ovinhos de codorna, eles cozinham graças ao calor do caldo, mas ainda mantêm uma consistência mole. 



Uma caneca de caldo satisfaz e a receita é guardada a sete chaves pela família Corrêa.





A dose de cachaça varia de R$3 a R$4,50, e a Coca Cola em garrafa de 290ml sai a R$2,50.

O bar não oferece muitas opções de comida, o que é bom, pois o Nonô se especializou em servir um excelente caldo de mocotó. 

Fartos e gordurosos pedaços de bacon (R$5,50 cada), língua ao molho com cebola e pimentão (R$5,50 a porção) e ovo de galinha cozido (0,80 a unidade) completam o cardápio.



Vale destacar o cuidado com a limpeza que impera no local. As panelas são muito bem lavadas em frente aos clientes, pois a pia fica a poucos metros do fogareiro. 

Tudo sob o olhar de Nonô, que é homenageado com um quadro afixado na parede sobre as portas dos banheiros.



O bar tem clientela predominantemente masculina e abre suas portas toda segunda-feira às 6 horas da manhã, e só fecha nos sábados à meia-noite. 

Apenas pagamentos em espécie são aceitos. 



Em suma, um bar tão democrático como o Nonô deveria constar em todos os guias turísticos de nossa querida Belo Horizonte.





NONÔ - O REI DO CALDO DE MOCOTÓ
Entradas pela Avenida Amazonas, 840 e Rua dos Tupis, 577 - Centro
Belo Horizonte (MG)
Tel: (31) 3212-7458

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

"Pastel de camarão" (Restaurante Sambaqui - Florianópolis, SC)



Não é em qualquer esquina que se acha um bom pastel de camarão, infelizmente. 

Em boa parte das lanchonetes, pastelarias e restaurantes, é comum encontrarmos massas recheadas apenas com o creme do crustáceo, e olhe lá. 

Mas em Florianópolis o assunto é levado a sério. 

A capital catarinense tem boas opções de acepipes e de pratos em que o camarão é a grande estrela

E quem, em sã consciência, resiste a um bom pastelzinho acompanhado de uma loura gelada?



No Restaurante Sambaqui, localizado no bairro homônimo, o petisco tem massa caseira que se destaca por ser sequinha e crocante.





O recheio é repleto de camarões médios. Isso quer dizer que a cada mordida o paladar é agraciado com um bom naco de sua saborosa carne, temperada apenas com pedacinhos de salsinha e de tomate. E nada mais. 







Cada pastel, de tamanho médio, custa R$5, e comer um só é quase impossível. 






Para acompanhar, são boas opções as cervejas em garrafas de 600ml. 

Original e Bohemia saem por R$9 cada uma. Skol e Brahma valem R$8 a unidade, e a boa Sul-Americana, envasada em garrafa de um litro, custa R$18.





Sambaqui também é o nome de uma praia de Florianópolis.





Juntamente com o bairro vizinho, Santo Antônio de Lisboa, foi o lugar escolhido pelos primeiros imigrantes açorianos para fixar residência na ilha, em meados do século XVIII.





Vale a pena passar uma tarde beliscando e bebericando sentado na varanda ou nos bancos fixos do outro lado da rua do simples restaurante, de frente para o mar tranquilo da baía norte de Floripa. 





O Restaurante Sambaqui aceita cartões de débito e de crédito e funciona de terça a domingo, das 10 da manhã às 11 da noite.



Cerveja gelada, ótimos pasteizinhos de camarão e vista deslumbrante. Alguém precisa de mais alguma coisa para ser feliz?



RESTAURANTE SAMBAQUI
Rua Gilson da Costa Xavier, 1520 - Sambaqui 
Florianópolis (SC)
Tel: (48) 3235-1034

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

"Tutu bola" (Patorroco - Belo Horizonte, MG)



Bolinhos salgados, fritos e recheados para acompanhar o chope ou a cerveja gelada são muito tradicionais no Rio de Janeiro. 

Na Cidade Maravilhosa é fácil encontrar versões recheadas com camarão e até com feijoada

Em Belo Horizonte os mais comuns são os de bacalhau e de feijão. Este último, inclusive, anda sumido dos cardápios dos botecos. 

Eis que Marcos Proença, conhecido como Patorroco e dono do bar que leva o seu apelido, teve a excelente ideia de fazer um bolinho recheado com tutu de feijão. 



Mais mineiro do que isso, impossível. 

Batizado de tutu bola, trata-se de um bolinho de tutu recheado com filé suíno e couve, coberto com crocância de torresmo e acompanhado de molho picante. 



A porção custa R$21 e vem com 10 unidades. A meia-porção sai por R$13.



São três camadas de puro sabor. 

A crocância dos minúsculos pedaços de torresmo é seguida pela densidade do tutu. A terceira sensação se dá pela maciez da carne de porco aliada à sutileza da couve rasgada. 



O tutu tem textura mais grossa - sem ser grosseiro - justamente para não escorrer e também para dar firmeza ao bolinho. 



Vale destacar que a ideia da casquinha de torresmo é genial. E no centro de tudo: a idolatrada carne de porco.





Mesmo com os ótimos ingredientes do recheio - couve e filé suíno -, o feijão transformado em tutu não deixa de ser a estrela do prato. 



Outra grande ideia é o molho picante à base de tomates que acompanha o petisco. 



Afinal, um tutu à mineira que se preze deve ser regado com um bom molho de tomates. 



Imagino que pequenos pedaços de ovo cozido cairiam bem no criativo e delicioso tutu bola. 

Para acompanhar, vá de Antarctica Original (R$8,95) ou de chope Krug Bier (R$4,90 a tulipa). 

Há pouco mais de seis meses o bar foi ampliado e agora comporta 200 pessoas, que lotam as mesas internas e da calçada em busca dos petiscos que ganharam fama desde a inauguração, em 2003.



De lá pra cá, o Patorroco foi bicampeão do festival Comida di Buteco - em 2012 e 2013 - e venceu o prêmio de melhor cozinha pela revista Veja BH Edição Comer e Beber 2013.

As formas de pagamento são dinheiro e cartão de débito. 

O funcionamento é de segunda a sexta, das 17 horas à meia-noite, e aos sábados, de meio-dia às 23 horas. 

Eis um bolinho que não deixa nada a dever aos mais famosos do Rio de Janeiro. 

Aliás, o tutu bola também poderia se chamar alegria. Simplesmente alegria. 



PATORROCO
Rua Turquesa, 865 - Prado
Belo Horizonte, MG
Tel: (31) 3372-6293