quarta-feira, 2 de maio de 2012

"Chicharrón de queso e taco al pastor con queso" (La Fábrica del Taco - Buenos Aires, Argentina)



Um lugar descolado, agradável e com comida bem feita. Assim é La Fábrica del Taco, restaurante localizado no bairro Palermo Soho, em Buenos Aires.

Aberto em 2008, este pedacinho do México é a bola da vez na capital argentina.

Com cadeiras altas, distribuídas pelo balcão externo, e mesas na calçada e na área interna, o restaurante é frequentado basicamente por jovens, que fizeram dele um dos lugares mais badalados da cidade.





A decoração dos ambientes é um show à parte. Caveiras fofas que remetem ao Dia de los Muertos - a grande celebração mexicana de origem indígena -, máscaras de lucha libre (luta livre) e imagens da Virgem de Guadalupe, padroeira do México, estão por todo lado.









Mas o grande barato são as homenagens ao seriado Chaves, conhecido como "El Chavo del Ocho" pelos de língua espanhola.

Esta é a temática dos banheiros, que receberam, sobre suas portas, placas com indicação de chavas, para as mulheres, e de chavos, para os homens.







O personagem imortalizado por Roberto Bolaños também está representado no cardápio através do doce refresco de tamarindo, ou "agua fresca del Chavo", que chega em copo grande de vidro e que custa 11 pesos argentinos (R$4,40).



Constam no cardápio doze rótulos de tequila e três de cerveja, entre elas duas mexicanas: Negra Modelo e Corona, a 20 pesos (R$8) cada long neck.

O balde com cinco unidades da ótima e refrescante Corona é uma boa pedida, já que sai por R$90 pesos (R$36).

A garrafa é servida com um pedaço de limão no gargalo.



À noite a carta de bebidas fica mais interessante com a inclusão de cinco opções de mojitos e de seis tipos de margaritas.

Para a entrada, vale a pena experimentar o chicharrón de queso, um saboroso e enorme pedaço de queijo preparado na chapa.



Com casquinha crocante, parece um torresmo de queijo, e deve ser comido com as mãos. Bom para acompanhar a cerveja, sai por 22 pesos (R$8,80) e serve de duas a três pessoas.



Mas o melhor está por vir quando o clássico da casa, taco al pastor con queso, é a pedida.

Ele chega à mesa sobre prato de plástico duro - o que mostra a informalidade do lugar -, aberto e coberto com carne de porco e queijo. Duas finas fatias de abacaxi o acompanha.



Cabe ao cliente fechar o taco, colocar um pouco da cebola crua picada com coentro, que fica sobre a mesa, e se deleitar.

Com consistência perfeita, a excelente tortilla à base de milho é recheada na medida para evitar bagunça na hora de levá-la à boca.

Custa 17 pesos (R$6,80).



A carne de porco - cerdo para los hermanos - é condimentada e crocante nas pontas. Assada num espeto vertical, ela é cortada em lascas antes de ser servida.



Tudo sob a supervisão do mexicano Luis Armenta, que comanda a cozinha da Fábrica del Taco.



O cara é tão figura que já participou até de videoclipe. (Clique aqui para assistir).

Em relação às pimentas, elas estão disponíveis em forma de molho e em três graus de ardência: pouco picante, picante regular e muito picante.



Quem quiser algo mais forte pode fazer uso do chili, um mix de pimentas bem concentrado que sai do balcão direto para pequeninos potes que ficam sobre as mesas.



Outras opções de tacos, como o de carne assada, que vale 11 pesos (R$4,40), e quatro tipos de hambúrgueres, entre eles um vegano, são oferecidos no cardápio.

O estabelecimento não cobra taxa de entrega em domicílio e não aceita cartões de crédito e de débito. Os 10% relativos ao serviço de garçom também não são cobrados, apesar de haver um carimbo na comanda que recomende o pagamento.

Funciona de terça a domingo e fecha às 3 horas da madrugada nos finais de semana.

La Fábrica del Taco é um autêntico restaurante mexicano, com ótima comida, cerveja gelada e decoração criativa.

Por isso, vale a pena passar algumas horas comendo e bebendo ao som da vibrante música latina que não cessa no som da casa.




LA FÁBRICA DEL TACO
Gorritti, 5062 - Palermo Soho
Buenos Aires (Argentina)
Tel: 4832-0815
http://www.lafabricadeltaco.com/

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Rabas al limón, ojo de bife e tortilla a la española" (El Obrero - Buenos Aires, Argentina)



Do outro lado da Avenida Almirante Brown, na rua das oficinas mecânicas, num ponto afastado e nada turístico do bairro de La Boca, em Buenos Aires, se localiza o El Obrero, um bodegón onde é oferecida ótima comida a preços convidativos.

Com paredes repletas de antigas garrafas de cerveja, de quadros negros que informam as opções do cardápio do dia, de flâmulas de diversos times de futebol e de fotos de clientes famosos, o El Obrero tem clima informal e uma atmosfera maravilhosa.





Por ali já passaram dezenas de personalidades, entre elas Francis Ford Coppola, o baterista do Metallica, Lars Ulrich, o cantor Manu Chao, o técnico de futebol Carlos Bianchi e os integrantes do U2, Bono e Larry Mullen Jr., que conheceram o restaurante graças ao convite do cineasta alemão Wim Wenders.



O local é uma espécie de templo "xeneize maradoniano".

Explica-se. Fotos emblemáticas do Club Atlético Boca Juniors e de Diego Armando Maradona estão espalhadas por todos os cantos.





"Boca és el mejor del mundo. E Maradona és mas grande que Pelé y Messi", entusiasma-se um dos proprietários, o baixinho Pablo Castro, que faz questão de atender os clientes como mais um dos garçons da equipe.

Ele afirma que "El Pibe Diego" já parou seu Mini Cooper na porta do bodegón, mas que não entrou.



O cardápio da casa oferece mais de 100 opções de carnes, omeletes, batatas, pescados, massas, saladas e sobremesas.

O couvert é formado pela tradicional cesta de pães, além de manteiga e azeite.



Para a entrada, as rabas al limón (anéis de lula à milanesa, acompanhados de limão) são imperdíveis. Afinal, elas são responsáveis por boa parte da fama do local.



Custa 45 pesos argentinos (R$18). A meia-porção sai a 38 pesos (R$15) e serve muito bem duas pessoas.



O casamento ideal para o bem preparado petisco, que, diga-se de passagem, não ficou borrachudo nem quando esfriou, é com a ótima cerveja Quilmes, que vale 23 pesos (R$9,20) na versão de 1 litro, e 19 pesos (R$7,60) a garrafa de 600ml.



Especialidade da casa, o ojo de bife especial é uma carne perfeita, pois é macia e entremeada por um pouco de gordura.



O suculento miolo do contrafilé tem cerca de 400 gramas e dá para duas pessoas. Custa 64 pesos (R$26).



Um pouco do perfumado chimichurri da casa basta para acrescentar sabor ao corte preparado na parrilla.



Para acompanhar, o atencioso Pablo Castro é enfático: tortilla a la espanõla!

Ele diz que é um clássico, já que ela foi colocada no cardápio por seu pai, que era espanhol e assumiu o El Obrero em 1954.

Deliciosa, a tortilla é preparada com ovos, batatas, cebola e linguiça.



Trata-se de uma espécie de omelete gorda, recheada com batatas cortadas grosseiramente, finas rodelas de cebola e linguiça calabresa de ótima qualidade.

É um prato farto e de personalidade. Custa 24 pesos (R$10).



Aberto em 1902, o El Obrero mantém o clima retrô e é cultuado por muitos portenhos.



Na comanda, que chega à mesa com anotações feitas à caneta, são adicionados 10 pesos (R$4) relativos ao cubierto, que é aquilo que o restaurante cobra para garantir a reposição do que é considerado importante oferecer ao cliente, como copos, guardanapos de pano, talheres etc. Essa taxa é cobrada em vários estabelecimentos de Buenos Aires.

O El Obrero funciona de segunda a sábado até as 16 horas.

A dica é não cair na armadilha dos restaurantes "pega turista" de Caminito. Afinal, eles oferecem comida normal a preços exorbitantes.

O El Obrero está a alguns quarteirões dali, num ponto pouco badalado e esquecido pelas autoridades locais.

Por isso, se quiser ir caminhando, como fez este blogueiro, tenha cuidado, pois a região é reconhecidamente perigosa.

Mas não importa como chegar - se de carro, ônibus ou a pé. O que importa mesmo é que ali é possível respirar a história de La Boca e também do time mais querido da Argentina, além, é claro, de comer e beber muito bem.




EL OBRERO
Agustín R. Caffarena, 64 - La Boca
Buenos Aires (Argentina)
Tel: 4362-9912

terça-feira, 10 de abril de 2012

"Muzzarella com panceta" (El Horno de Juan - Montevidéu, Uruguai)


Se você estiver no Uruguai, tome cuidado ao pedir uma pizza. Você pode tomar um susto ao perceber que, para eles, trata-se apenas de massa coberta por molho de tomates. E só.

O que para nós é pizza, para eles é muzzarella. E, para muitos, as melhores de Montevidéu são encontradas em El Horno de Juan, um misto de bar e pizzaria localizado no charmoso bairro Pocitos.

Com mesas espalhadas por dois ambientes - calçada e salão interno -, o local está sempre cheio e é frequentado por pessoas de diversas faixas etárias. De famílias com crianças a turmas de amigos que aproveitam os seus vinte e poucos anos.


Uma característica dos uruguaios é que o pedido deles é individual. Ou seja, cada um come sozinho a sua pizza, muzzarella ou faina, que é uma massa de farinha de grão-de-bico fininha e sem recheio algum.

Sobre as mesas não há talheres, azeite ou condimentos.

Todas as pizzas, muzzarellas e fainas são retangulares e chegam cortadas em pequenos quadrados. Quer dizer, são ótimos petiscos para se comer com as mãos, e, por isso, ninguém senta à mesa para comer rapidamente e ir embora.


Ali a conversa rola solta em companhia da leve cerveja Patricia, a 95 pesos uruguaios (R$9,50) a garrafa de 960ml.


Cada muzzarella custa 85 pesos (R$8,50), e metade dela custa 57 pesos (R$5,70).

As muzzarellas con gustos são aquelas que contêm ingredientes além da própria muçarela. Elas estão disponíveis em 17 versões e custam 115 pesos (R$11,50) cada. Meia-porção vale 75 pesos (R$7,50).

A de panceta é a mais popular e chega repleta de pequeninos pedaços de bacon e de presunto.


A massa é firme e crocante, e o molho levemente adocicado.




Outros sabores que se destacam são os de pepperoni, roquefort, ovo duro, cebola, champignon e a ótima de tomate natural, que é preparada com folhas de manjericão.


Com cardápio enxuto, El Horno de Juan não vende nada para comer além de pizzas, muzzarellas e fainas.

Cada pizza custa 47 pesos (R$4,70), e sua metade vale 35 pesos (R$3,50).

Os mesmos preços são cobrados pela faina, muito consumida pelo pessoal da velha guarda.


O balcão é disputado pelos clientes que fazem os pedidos para viagem, e, assim, o movimento entra madrugada afora.


El Horno de Juan é um bar simples e sem muitas pretensões, que serve pizzas rústicas e caseiras para acompanhar uma cerveja gelada. Não cobra serviço de garçom e é um excelente lugar para se gastar pouco em Montevidéu.


EL HORNO DE JUAN
Martí 3391 - Pocitos
Montevidéu (Uruguai)
Tel: 2707-8676

sábado, 31 de março de 2012

"Frankfurter simples" (La Pasiva - Montevidéu, Uruguai)



Um pão de leite pequeno e macio cortado ao meio e recheado com uma salsicha de ótima qualidade. E só.

Esta é a descrição do frankfurter simples do La Pasiva, uma cadeia uruguaia de lanchonetes com cardápio diversificado e com várias unidades na capital Montevidéu. 



É um cachorro-quente bem simples e com preço camarada de 27 pesos uruguaios (R$2,70).

Pode parecer sem graça, mas é saboroso e não precisa daqueles vários e desnecessários acompanhamentos tão comuns Brasil afora.

Servida à parte, a suave mostarda branca tem sabor que remete a trigo, cevada e pão. Por isso mesmo, alguns afirmam que a cerveja é um de seus ingredientes. A receita é secreta e exclusiva da rede.





Do tamanho do pão, a salsicha é apenas cozida em uma panela grande com água e folhas de louro.



É um sanduíche que você consegue segurar com uma mão sem fazer bagunça alguma. E o melhor, acompanha muito bem a razoável cerveza de barril (chope grande) da marca Pilsen, que custa 69 pesos (R$6,90).

Como ele é pequeno, fica fácil comer dois ou três.



Outros cinco tipos de frankfurters mais elaborados estão presentes no cardápio, assim como carnes, chivitos, saladas, massas e pizzas.

A unidade da Ciudad Vieja tem um interessante ar decadente e fecha à meia-noite. Lá, a moeda brasileira é aceita e, no momento, cartões de crédito e de débito não são aceitos. O pagamento dos 10% referentes ao serviço de garçom é opcional.





O frankfurter simples é uma opção de lanche em conta e serve também para acompanhar uma caneca de chope, já que é um alimento leve.

O La Pasiva é um bom ponto de reabastecimento na linda região da Ciudad Vieja.




LA PASIVA
Peatonal Sarandí, 600 - Ciudad Vieja
Montevidéu (Uruguai)
http://www.lapasiva.com.uy/